Paisagens e culturas inesquecíveis

Um registro da viagem de Douglas Belle, aventureiro por paixão, à Namíbia. Ele mostra os roteiros diferenciados e os destinos marcantes.

Além de possuírem desenhos rudimentares feitos pelo homem há milhares de anos, as formações rochosas de Spitzkoppe são também pérolas geológicas. Constituem um verdadeiro testemunho de um passado distante, que ajuda a compreender a gênese e a dinâmica do planeta – remontando à época em que os continentes formavam uma única massa de terra.

Uma viagem para sentir a natureza na pele, ter contato com povos seculares e ver-se imerso em uma fauna selvagem e encantadora. Assim foi a temporada de Douglas Belle na Namíbia, país situado na região sul da África. Banhado pelo Atlântico, tornou-se independente em 1990, tendo sido colonizado por alemães e ingleses. Como abriga uma vasta biodiversidade, oferece paisagens de tirar o fôlego – tão diferentes quanto numerosas.

Foi em busca de experiências assim que Douglas escolheu a Namíbia como destino de sua mais recente aventura. A bordo de caminhões adaptados para terrenos inóspitos e longas distâncias, desbravou milhares de quilômetros junto a um grupo de viajantes igualmente fascinados por endereços não convencionais. “A interação cultural era muito grande, e aprendíamos muito uns com os outros”, afirma.

Um dos primeiros destinos já foi marcado pela imponência. Tratava-se do Desfiladeiro do rio Fish, o maior do continente, com 16 mil metros de comprimento, 2,7 mil de largura máxima e profundidades que ultrapassam os 500 metros. Por ele passa o rio Fish, que praticamente some nas épocas de seca.

A escassez de água, aliás, é frequente no país. Tanto que várias propriedades criam poços com dezenas de metros de profundidade para manter-se. Em uma delas, o caminhão no qual Douglas estava parou para os passageiros passarem a noite, dormindo ao relento apenas em colchões de acampamento. “Faz parte da experiência. O teto era literalmente as estrelas”, lembra. Nessa localidade, os donos construíram uma espécie de piscina – conhecida como Waterhole – que atrai animais em busca de água durante a madrugada. “Pouco antes de pegar no sono, vi zebras e antílopes refrescando-se a cinco metros de mim. Foi muito marcante”.

As paisagens desérticas são mesmo muito presentes na Namíbia. O próprio nome do país deriva de uma delas: é o deserto do Namibe, que cobre praticamente toda a costa da nação. Com mais de 30 mil quilômetros quadrados, foi considerado patrimônio mundial pela Unesco em 2013. Na região sul, fica o deserto de Sossusvlei, no qual fica a Duna 45, que está entre as maiores do mundo.

Driblando o calor

Diversas são as atividades nas quais é preciso atenção com as altas temperaturas na Namíbia. A própria Duna 45 é uma delas. Poucos se arriscam a explorá-la depois do nascer do sol, pois o termômetro rapidamente chega a 45ºC. Douglas seguiu a orientação, e foi com um grupo subir os 170 metros de sua encosta antes do dia raiar – o que rendeu um belo acervo fotográfico. O mesmo cuidado foi tomado ao visitar Spitzkoppe, um maciço rochoso com 1,7 mil metros de altitude. O local também foi usado como acampamento, apresentando superfícies quentes mesmo após anoitecer. “As rochas pareciam recém-saídas do forno”, ressalta. Chamava atenção também os inúmeros desenhos rupestres de tribos milenares, com desenhos rudimentares mostrando homens caçando animais.

Mistura de povos

Apesar de ter apenas 2,4 milhões de habitantes – menos do que Brasília (DF) – a Namíbia possui uma diversidade de culturas surpreendente. Reúne em seu território regiões de grande influência europeia e localidades com tribos que preservam seus costumes mais tradicionais. A segunda cidade mais populosa do país é um exemplo. Chamada de Swakopmund, apresenta edificações da arquitetura colonial alemã que estão entre as mais bem preservadas do mundo. É um dos poucos lugares da África onde a população fala alemão e tem raízes germânicas. Há também Himba Village, onde os membros são nativos que mantêm as tradições de seus antepassados. Longe de energia elétrica e de ferramentas avançadas, tomam banho como os ancestrais: acendem uma fogueira dentro das cabanas, cobrem parte do fogo com couro e se limpam com o vapor – como um ritual de purificação. Ver seu modo de vida sendo preservado com alegria ajudou Douglas a vivenciar grandes lições em sua estadia pelo país. “Você reaprende a dar valor às coisas simples, em meio a um povo feliz e muito receptivo”, comenta.

Em Himba Village, uma tribo semi-isolada que preserva costumes do passado, parte das crianças passa boa parte da infância fora do local, sendo alfabetizadas em escolas convencionais – para não perder totalmente o contato com demais culturas. Os nativos produzem e vendem artesanato para custear esses estudos.

Por Douglas Belle. Aventureiro por paixão e amante da fotografia, registra suas idas por roteiros diferenciados em destinos que fogem do convencional, vivenciando experiências únicas.

Veja também

Mais Mochila afora