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19 set 2020

ENTREVISTA

ENTREVISTA

Artista natural: entrevista com André Sartor

Sartor abriu um escritório em que todos têm acesso a todos e onde a criação coletiva é estimulada. Mas na cozinha gourmet, bem ao lado da mesa de trabalho, tudo muda: no fim do expediente, o avental é dele, e criar passa a ser processo individual.

Na noite anterior à entrevista, André Sartor foi dormir de madrugada. Ele estava no escritório, trabalhando e cozinhando. Recebeu um casal de clientes, e entre uma apresentação de projeto e uma conversa boa, resolveu fazer um risoto. “A gente cria um cenário em que essa ligação com o cliente fica mais forte. E a comida é importante para esta conexão, pois cria vínculo”.

Além do ambiente descontraído, André aposta na valorização dos profissionais que estão com ele. É comum encontrar arquitetos que um dia foram estagiários, ou profissionais que estão por ali há muito tempo. Atualmente, 80% da equipe está no escritório há mais de 5 anos, e a coordenadora do setor de interiores já foi estagiária.

O sucesso em segurar talentos tem uma explicação simples: o escritório tem sido também uma escola para todos. Ali, todo mundo tem acesso a clientes, fornecedores e ao próprio arquiteto, numa espécie de processo de co-criação. Em 2018, a equipe teve uma surpresa. Para comemorar os 15 anos de profissão, André levou todo mundo para Milão, onde visitaram o Salão do Móvel em um projeto de conhecimento e comemoração. Era uma forma de presentear quem estava ao lado dele, mas também de dar àqueles profissionais uma oportunidade de crescimento. Aliás, conhecimento é algo muito valorizado por André, ele quer que todos saibam os detalhes técnicos e como cada produto especificado é fabricado. Em 2019, todos os meses uma indústria foi convidada para estar no escritório e apresentar os lançamentos, com os pormenores da produção, instalação e outras informações que podem influenciar na aplicação deles.

Trabalhar em equipe é a onda de André. Até existe uma divisão no escritório entre quem trabalha com design de interiores e quem foca em projetos arquitetônicos. Mas são portas que estão sempre abertas, ou melhor, são paredes de vidro sempre escancaradas, para que ninguém se sinta inibido a dar opiniões. “Às vezes, tem um detalhe que tu não estás conseguindo enxergar, ou uma ideia que está faltando. Aí passa alguém para pegar um café e te ajuda”. Todos entendem que podem e devem opinar para que o objetivo principal do escritório seja alcançado: materializar sonhos, construindo novos começos.

ARTISTA NATURAL
André não tem medo nenhum da câmera. Pelo contrário, parece ter nascido para ela. Caminha, faz pose e a encara como um profissional. Dá quase para dizer que é tão bom artista quanto é arquiteto. Quase! Ele mesmo diz que a arquitetura tem muito mais de desenho do que de cálculos, e credita às habilidades artísticas naturais boa parte do seu sucesso.

O profissional é capaz de fazer desenhos em perspectiva até de cabeça para baixo, para facilitar o entendimento do cliente sobre o projeto. Pelo escritório, estão espalhados vários desenhos do arquiteto, alguns emoldurados e expostos na parede, outros rabiscados num quadro ou num pedaço de papel qualquer. E, apesar de considerar que a tecnologia tenha facilitado a vida dos arquitetos, crê que ela também tirou um pouco do encanto e da surpresa. “Eu sempre digo que o cliente enjoa daquilo que a gente apresentou antes mesmo de estar concretizado. Quando chega no final, ele já sabia como ia ser, e isso é meio frustrante”.

Mas o seu jeito de trabalhar vai além dos projetos bem feitos e de conhecer os detalhes técnicos dos produtos especificados. Quando um cliente solicita um projeto, ele se preocupa em como aquela obra será viabilizada. Talvez seja uma de suas características mais marcantes, o seu envolvimento com a materialização daquele sonho, para que não fique apenas no papel.

O tempo também fez André mudar, e a interação que ele prega no escritório também o fez crescer. Cresceu ao ponto de se tornar referência na região sul do estado, e de ser o responsável pelo projeto do maior empreendimento de saúde do país, o Santa Vita, de Criciúma. E quem o conhece bem diz que ele vem melhorando também na cozinha, do risoto ao jantar à francesa.

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