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04 jun 2020

ENTREVISTA

ENTREVISTA

Entrevista com Ana Wolf

Tudo é intenso na trajetória da arquiteta Ana Wolf, de Jaraguá do Sul. Desde os desafios que surgiram no seu caminho aos êxitos de sua carreira, poucos foram os fatos de pouca relevância que surgiram na frente dela. Também por essa razão, tornou-se uma das profissionais com mais bagagem no mercado, em uma história que começou na sua paixão por artes.
Ana tinha 16 anos quando começou a pensar mais frequentemente sobre seu futuro profissional. Nascida em meio a uma família de comerciantes e advogados de Itajaí, ela herdou da mãe e da avó a paixão pelas artes plásticas. Em dúvida entre qual profissão seguir, acabou optando pela arquitetura que, em sua opinião, também é uma expressão da arte. Fez então o curso na UFSC, a única instituição do estado na época que disponibilizava tal graduação.

Na faculdade, a cada dia surgia um novo encanto – principalmente nas aulas de história da arte. Era o combustível que precisava para dedicar-se de corpo e alma – tanto que logo ao se formar já conseguiu tornar-se sócia da empresa onde fazia estágio. Tratava-se do escritório do arquiteto Ricardo Meirelles, que ela considera ser um grande mestre. Entretanto, três anos depois, veio o primeiro revés. Ricardo veio a falecer em um acidente de carro quando ia visitar uma obra. Ainda com pouca experiência, Ana precisou assumir sozinha os projetos que estava fazendo em conjunto com ele. A missão foi concluída, mas a profissional decidiu retornar a Itajaí e abrir na cidade o próprio negócio.

Nessa nova fase, dividia-se o trabalho na prefeitura e as demandas de seus primeiros clientes. Seu perfil inquieto, que busca sempre mais, começou a falar mais alto sobre um antigo sonho: morar um tempo fora do Brasil. Ana então se inscreveu – e ganhou – uma bolsa de estudos do Governo espanhol, no Instituto Nacional de Administração Pública, em Madri, onde morou por um ano. “Foi uma experiência incrível, que me abriu diversos horizontes”, complementa a arquiteta.

Entrevista de sonhos

Esse é o termo que a profissional usa quando se refere às conversas realizadas com quem a contrata para captar seus gostos e expectativas do projeto. Antes mesmo do primeiro encontro, ela pede que tragam as referências que mais lhes agradam. Os bate-papos que se seguem são bastante informais, nos quais Ana de maneira intuitiva vai conduzindo e absorvendo as informações mais importantes para criar os projetos. Outro ponto marcante é que Ana gosta de ir na casa dos clientes, ver com os próprios olhos como as pessoas moram, sua relação com os ambientes e as interações realizadas. “Por isso, não posso dizer que tenho um estilo, pois eu só traduzo o que os moradores querem”, sintetiza, lembrando da sua predileção pelo estilo contemporâneo e atemporal. “O bom design transcende qualquer modismo”, ressalta.

É o modus operandi que a arquiteta tem empregado na H. Wolf Construtora e Incorporadora, a empresa do marido – à qual associou-se em 1991. Lá, divide-se entre a administração e o desenvolvimento dos projetos de arquitetura e interiores. Ainda hoje, a influência artística da mãe e da avó a inspiram na hora de criar. Ela lembra dos muitos dias e horas que passava no ateliê delas, em meio a tintas, pincéis e máquinas de costura. Era um terreno fértil para aprender enquanto se divertia – provavelmente a melhor maneira de ganhar novos conhecimentos. Sua carreira, afinal, é prova disso.

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