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30 Maio 2020

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Iniciativas plurais: entrevista com a arquiteta Cristiane Bértoli

“A Natureza é sábia e contém o néctar da sabedoria. É a primeira professora do ser humano”. A frase é do pensador e criador da Logosofia, Carlos Bernardo González Pecotche, que exemplifica um pouco da ligação que a arquiteta Cristiane Bértoli possui com os animais, com a leveza do ar puro, com o verde das plantas e com a energia que toda essa atmosfera oferece. “A minha principal característica é trabalhar com a natureza, e sempre que possível ela estará presente em meus projetos”, conta Cris, que há 14 anos mergulhou de cabeça nesse processo de evolução que é a Logosofia.

Tal metodologia lhe ajudou a encontrar respostas referentes a questionamentos como missão de vida, sobre como ajudar o próximo e qual é seu propósito como mãe, mulher e profissional. “Foi um processo de autoconhecimento, onde eu mudei muito a minha forma de pensar e agir”, revela.

Natural de Caçador, Cris e a família não permaneceram muito tempo na cidade. “Meu pai sempre trabalhou em banco e quando necessário era transferido. A primeira mudança foi para a cidade de Brusque, onde permaneceram por um tempo. Com o passar dos anos Cris foi ganhando experiências passando por outras regiões, “foram tantas cidades que tive o prazer de conhecer que hoje me viro em qualquer lugar”, conta Entre idas e vindas, e já formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a profissional foi convidada para trabalhar em um escritório em Joinville. Meses depois, decidiu voltar para Brusque, onde formou família e conquistou seu espaço.

Em cada uma dessas etapas, os desafios surgiram – mas ela tirou de letra, como a difícil tarefa de encontrar mão de obra para fazer parte da equipe nos anos 1980. “Naquela época, existia apenas um curso de arquitetura em Santa Catarina, e nós precisávamos contratar pessoas que pudessem nos ajudar com as demandas”, lembra. “Desenhávamos os projetos à mão, e as finalizações em papel vegetal e caneta nanquim”.

Nesse contexto, em paralelo ao escritório, a ideia de abrir uma loja de decoração veio em boa hora. O “Atelier Alternativo”, como era conhecido, serviu de inspiração em um período que não existiam alternativas de compra. “Por vezes precisávamos viajar pelo estado para ter acesso a peças e produtos que tornassem nossos projetos únicos e diferenciados”. A loja era abastecida com materias exclusivos, como tapetes, mesas para sala de estar e móveis para banheiros. Para criar, as ideias surgiam através de pesquisas de mercado, das andanças por aí e do olhar apurado. Foram exatos 10 anos de contato direto com os clientes finais, o que lhe rendeu boas e grandes amizades duradouras. Porém, a demanda com o escritório de arquitetura começou a exigir cada vez mais atenção de Cris, levando-a a desvincular-se da loja. “Eu queria e precisava ser mais arquiteta do que uma administradora”, lembra.

Motivada por desafios e com experiências singulares, a profissional tornou-se dona de uma trajetória rica em conhecimento e repertório. Hoje, o escritório atua com os mais diversos estilos de projetos arquitetônicos e de interiores, focando em tendências contemporâneas. O objetivo é sempre encontrar soluções criativas, garantindo a harmonia estética aliada ao bom senso da preservação ambiental. “Projetar envolve estar atualizado e bem informado. Envolve compreender as necessidades de cada cliente, bem como as premências do mundo atual”, pontua.

Para inspirar-se e aguçar cada vez mais a sede de conhecimento, a arquiteta mantém uma rotina semanal de reuniões e palestras com outros profissionais e estudantes através do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Núcleo de Brusque, onde está à frente como presidente desde 2017. Afinal, para Cris, essa troca enaltece a classe e o seu poder criativo. “Ganha a cidade, as pessoas e nós profissionais”.

Apaixonada pelos animais, Cris reserva sempre um tempinho para estar com a Kira e o Inti, os dois cachorros que alegram seus dias. Um deles chegou em sua casa de uma forma inusitada. “O meu filho mais velho, Vicente, decidiu viajar pelo mundo. Foram quatro anos fora, e no caminho de volta da cidade de Cusco no Peru ele encontrou o Inti perdido pelas estradas, e decidiu trazê-lo junto. Ao todo foram três semanas de viagem, pegando carona até chegar em casa”, lembra com afetuosidade. O registro da profissional com os dogs foi feito por Vitor Lando, filho mais novo.

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