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19 set 2020

ENTREVISTA

ENTREVISTA

Em constante movimento: entrevista com Maria Cristina Perucchi

Os trejeitos de uma ariana hiperativa se somam a uma mente movida pela construção e execução de ideias – tudo em meio à busca quase frenética por conhecimento.

Movimento. Essa palavra tão cheia de significados, e ao mesmo tempo tão singela, é como um combustível para a arquiteta Maria Cristina Perucchi, de Criciúma. Bastam poucas horas ao seu lado para perceber sua energia acontecer. A começar pela sua sede por novas habilidades, que não se restringe à arquitetura. Artesanato, culinária, fotografia, maquiagem, dança, corte e costura… e por aí vai. “Já fiz vestidos para ir em casamentos de amigas e por pouco não me aventurei em fazer meu vestido de noiva”, lembra.

Não é surpresa para quem a conhece desde cedo. O contato com trabalhos manuais veio ainda na infância, criando tiaras, lacinhos e cestas de páscoa. Era um verdadeiro universo de criatividade, que ainda serve de inspiração. Vem dessa época o capricho, o gosto pelo belo, por criar e ousar. E a arquiteta que habitava em Maria Cristina já dava sinais de sua gênese. Em seu quarto, a cama nunca parava no mesmo lugar. “Eu arriscava layouts novos, pois já despertava em mim um pouco essa vivência de espaço”, recorda.

Até mesmo o modus operandi da atual carreira germinava com vigor naqueles tempos. Afinal, gerar ideias, prepará-las e partir para a execução é um “sistema” que define o dia a dia da profissional em seu escritório. Tal metodologia já era seguida por ela quando inventava os próprios cartões de Natal, enviados para amigos e colegas de escola pelo correio. Enquanto não terminava todos, não saía de cima dos materiais que tinha à disposição, pois mesclava paixão e urgência em fazer suas ideias acontecerem. Nos meses de dezembro, sua mãe já sabia que precisava enviar cerca de 70 cartões que surgiam das mãos da filha, e que ainda hoje são lembrados por quem recebia.

Por essa razão, assim que chegou o momento da escolha da profissão, Maria Cristina não se via fazendo mais nada que não tivesse a ver com sua vida naquele momento. Afinal, para ela, projetar é fazer acontecer. “É sempre desafiador, e isso me motiva muito”. Hoje em dia, é algo visto logo depois dos primeiros contatos com os clientes, onde entram as três etapas que desde cedo ela colocava em prática: gerar ideias, prepará-las e partir para a execução.

DOS ARES QUE ELA RESPIRA

A profissional entende que moda e viagens que acrescentem um conteúdo cultural relevante são grandes fontes de inspiração – o que inclui feiras e publicações especializadas. Maria Cristina então desenvolveu os próprios filtros no sentido de absorver apenas o que lhe instiga em uma sociedade onde as inputs surgem a todo o momento. “Viajar, discutir, observar, relacionar-se com o mundo. Arquitetura precisa desse movimento. Quanto o olhar está direcionado, uma simples banca de frutas traz inspiração”, conta.

Esse olhar afiado, somado ao espírito aventureiro, levou a arquiteta a buscar formações além da graduação. Em Barcelona, conquistou a especialização em Gestão de Projetos e obras. Já na Universidade de Londres, foi a vez de participar de uma imersão em arquitetura internacional – experiências que instigaram ainda mais a busca por um trabalho autêntico.

Hoje, é na família que Maria Cristina alimenta seu ócio criativo. Há mais ou menos um ano e meio, a chegada da primeira filha, Lívia, mudou completamente a rotina e a vida da arquiteta. “A gente acaba dando mais valor aqueles simples momentos da vida. Fazer nada com a família é pura diversão. As necessidades e valores mudam. E a gente vê que não precisa de muito pra ser feliz”. Apesar do período atípico e desafiador, além das conquistas pessoais, a vida profissional também seguiu o ritmo de vitória. Além do feedback extremamente positivo dos clientes, o reconhecimento pelo esforço veio em forma de premiações: no ano passado, Maria Cristina foi considerada uma das 10 profissionais da arquitetura mais influentes de Criciúma, conquistando uma viagem para Buenos Aires. “O prêmio veio para derrubar o medo do que seria meu futuro profissional com minha pequena nos braços. E o melhor é que foi sem pretensão alguma, o que fez o resultado ser ainda mais gostoso”, comemora.

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