Últimas Novidades

04 ago 2021

ARQUITETURA

De volta à era das pedras naturais
O projeto de autoria do escritório Belotto Scopel Tanaka Arquitetura explora os veios singulares do Mármore Michelangelo Prime em uma composição sublime, com contrastes elegantes entre tons e a valorização da luxuosidade da pedra natural. Foto: Eduardo Macarios
ARQUITETURA

De volta à era das pedras naturais

Singularidade. Luxo. Tradição. Visitar o universo das pedras naturais é conhecer uma história milenar escrita pela própria terra.

O projeto de autoria do escritório Belotto Scopel Tanaka Arquitetura explora os veios singulares do Mármore Michelangelo Prime em uma composição sublime, com contrastes elegantes entre tons e a valorização da luxuosidade da pedra natural. Foto: Eduardo Macarios

“Vi um anjo no bloco de mármore e simplesmente esculpi até libertá-lo”. A frase do pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano Michelangelo registra a sua intimidade com as pedras naturais — mais precisamente, o mármore, que dá vida a ícones de um dos maiores criadores ocidentais da história da arte. De sua autoria, a escultura Pietà, um retrato da cena bíblica em que Virgem Maria segura seu filho, Jesus Cristo, em seus braços, é considerada uma das criações mais impressionantes do período renascentista. Autor de tesouros artísticos da humanidade, como o teto da Capela Sistina, Michelangelo enxergou no mármore uma potência singular para a arte, assim como para a arquitetura.

O Mármore Michelangelo Nuvolato dá boas-vindas a quem chega no Edifício Ecoville, na proposta assinada por Simone Sidor e Patricia Alborta. Com baixo grau de porosidade, pode ser utilizado em áreas de alto tráfego. Foto: Patricia Amancio

Além de materializar obras-primas, as rochas ornamentais exibem nos cenários do cotidiano a beleza e a força intrínseca que as tornam tão marcantes. Uns dos elementos mais antigos do mundo, elas são verdadeiras joias originadas na natureza e exploradas de diferentes formas em projetos arquitetônicos — afinal, é sempre uma boa ideia enaltecer materiais tão sofisticados, atemporais e instigantes.

Como uma ode a essas criações da terra, arquitetos e designers levam esses fragmentos milenares a composições que não passam despercebidas, assim como os profissionais responsáveis pelo processo de extração, tratamento e aplicação. Para o arquiteto Tufi Mousse, “nenhum outro material traz a exclusividade que cada placa de pedra natural apresenta. É como uma árvore: nenhuma é igual a outra”. Em cada projeto, há uma parte da história da formação do planeta e dos seus fenômenos. Difícil é escolher qual é o mais belo.

“O natural, além de ser atemporal, está cada vez mais se tornando um artigo de luxo por estarmos vivendo essa era da busca pela natureza”, acreditam as arquitetas Natalia Garofalo e Rafaela da Rocha, do Mútuo Studio. Foto: Kacio Lira

A rica geodiversidade brasileira faz com que o país seja referência quando o assunto é variedade e qualidade de rochas ornamentais. Das jazidas locais são extraídas, em média, mais de nove milhões de toneladas de mármores, granitos e quartzitos por ano. A extensão das montanhas chega a atravessar regiões. As pedras, que têm origem em Tocantis, Bahia, Maranhão, Piauí, Espírito Santo, Paraná e outros estados, não deixam a desejar em relação a peças internacionais — por isso, são exportadas para todo o mundo.

Uma das fontes mais valiosas do país, a Michelangelo Mármores do Brasil começou a sua história com uma pedreira em Bocaiúva do Sul, município localizado a cerca de 40 quilômetros de Curitiba. Os irmãos Paulo e Lincoln Fleischfresser descobriram, há quase três décadas, que o solo paranaense abrigava pedras com nobre composição dolomítica — com base de carbonato de cálcio e magnésio. Essa combinação confere às rochas das jazidas da região propriedades superiores a qualquer outro mármore nacional, italiano ou grego, que são comumente formados somente com base calcária.

A pluralidade geológica das jazidas permite diversas criações, com veios e cores marcantes, como o Mármore Michelangelo Rosato, eleito para o projeto assinado pela arquiteta Priscila Rispoli. Foto: Patricia Amancio

Hoje, a jazida na Vila do Tigre, em Cerro Azul, se destaca: é de lá que sai o Mármore Branco Michelangelo, um dos mais renomados e requisitados em projetos arquitetônicos de alto padrão. Formadas pela combinação dos minerais dolomíticos ao longo de bilhões de anos, as pedras nascidas no solo fértil do Paraná têm baixa porosidade e alta resistência. Por ser uma rocha sedimentar, diferentes minerais fazem a composição que dá origem aos veios do mármore, um dos mais antigos extraídos no país.

Para as arquitetas Aneliza Bozzola e Amanda Goetten, a preferência por rochas naturais tem a ver com a tendência wabi-sabi — filosofia japonesa conhecida como “a arte da imperfeição”. Foto: Kacio Lira

É o material que reveste os arcos do Palácio da Alvorada e Planalto Central, em Brasília, e a Pinacoteca de São Paulo, além de inúmeras obras modernistas dos anos 50, 60 e 70. Fora do país, as lojas da grife Gucci receberam o Napoleon Bordeaux. Em Londres, o complexo residencial e comercial One Hyde Park e as estações de trem de Berlim, na Alemanha, também têm fragmentos que carregam a beleza das pedras brasileiras.

Para as arquitetas Daiana Rubio e Paula Costa, “além de requinte, o mármore possibilita diferentes paginações, com desenhos casados em leque, formando obras de arte únicas por ser um elemento desenhado pela natureza”. Foto: Kacio Lira

Não é de hoje a adoração da humanidade por essas joias da natureza: as pedras naturais fazem parte da arquitetura desde a antiguidade. A Grécia Antiga e, posteriormente, o Império Romano construíram monumentos, túmulos e esculturas com diversos tipos de rocha ornamental.

Localizado em um dos sítios arquitetônicos mais icônicos do mundo, o Partenon foi erguido inteiramente em mármore há mais de dois mil anos. O templo dedicado à deusa grega Atena resiste até hoje como símbolo da força transcendental das rochas. Não à toa, recebe milhares de visitantes todos os anos.

A lareira em Mármore Carrara foi um dos componentes preservados no projeto concebido pelo Maraú Design Studio. Para dar um up na sua composição e harmonizar com a narrativa contemporânea, o elemento ganhou um painel amadeirado. Foto: Donadussi

Além da arte e da arquitetura, a história mostra que o valor cultural agregado a mármores, granitos e quartzitos equivale ao caráter ornamental: em muitas civilizações, o uso está relacionada à espiritualidade. Por isso, há quem acredite que esses elementos possuam uma energia magnetizante, seja pela sua beleza arrebatadora, seja pela força impressionante de sua essência.

A recepção do Blanc Hospital Medplex, assinada pelo Estúdio Cassia Kroeff, se destaca pelo uso do Quartzito Bianco Superiore nos pilares. Foto: Marcelo Donadussi

“Os mármores são formações rochosas mais recentes e possuem menor dureza para áreas de fluxo intenso”, conta David Kraisch, especialista e empresário no setor de pedras naturais. São rochas metamórficas originadas de calcário e expostas a altas temperaturas e pressão. Graças aos diferentes tipos de composição, há uma grande variedade de cores e texturas desses elementos, que são os mais nobres e cobiçados entre as pedras naturais.

Foto: Kacio Lira

A sua principal característica estética é possuir veios marcantes sobre um fundo leitoso e homogêneo. Por conta dos seus traços naturais, costuma aparecer em revestimentos, lareiras e outros espaços e objetos decorativos. Contudo, essa análise deve ser individual, pois há alguns tipos de mármore que podem ser aplicados em bancadas de cozinha, banheiros e áreas de alto tráfego, principalmente com novas tecnologias de impermeabilização e tratamento, como o Mármore Branco Michelangelo.

Em um quarto que “abraça”, a arquiteta Vanessa Larré conferiu o toque com as pedras naturais em elementos inusitados, como na parede, que recebeu o Mármore Branco Carrara Statuario, tudo isso arrematado por pequenos detalhes em dourado. Foto: Fábio Jr. Severo

Já os granitos são rochas de origem vulcânica que foram “reprocessadas” na natureza e que não foram totalmente “refundidas”. Possuem em sua composição em média 30% de quartzo e outros minérios. Como a refusão não é plena, seu traço estético mais marcante são os grânulos ou glóbulos que dão efeito pingado.

Transcendendo os revestimentos tradicionais, há um movimento de explorar pedras naturais em móveis e fachadas nos últimos anos, de acordo com a arquiteta Gabriela Kursancew, do Bauhaus Studio. Foto: Kacio Lira

Desejados tanto na arquitetura quanto no universo das joias, quartzitos são as rochas não preciosas mais puras que existem na natureza. Possuem mais de 90% de quartzo na composição e foram constituídos há bilhões de anos na formação do planeta Terra. O fenômeno ocorre quando o magma de regiões profundas é resfriado ao se aproximar da superfície terrestre ou por meio do contato com a água que chega através de fendas — um processo geológico que leva milhares de anos.

Lugar de contemplação à beira do mar da Praia Brava, o projeto da arquiteta Vanessa Larré tem como destaque o Mármore Arcstone, ao lado da mesa de jantar e das cadeiras assinadas por Jader Almeida. Foto: Fábio Jr. Severo

Para o arquiteto Tufi Mousse, nos últimos cinco anos houve uma intensa revalorização de tudo que é natural relacionado a revestimentos de superfície. “Nosso cenário mudou, ampliou-se, e o mercado de pedras naturais voltou-se para a construção interna e com isso uma grande variedade de pedras reapareceu, provocando nossa criatividade com as inúmeras possibilidades de usos”, conta.

A tecnologia de proteção e impermeabilização de superfícies naturais possibilitou o uso em áreas molhadas, como banheiros, cozinhas e áreas de tráfego mais intenso. “Essa inovação vai desde o toque natural, com visual aparente de uma pedra sem nenhuma proteção, assim como diferentes percentuais de brilho que, conforme a composição da pedra, aceleram e transformam os cristais, gerando até novas cores”.

Originado no Tocantis, o Mármore Articstone tem um ar dramático, com base escura e veios claros, contínuos e largos, que se movimentam na chapa. A formação geológica antiga é da família dos dolomíticos — extremamente resistente e diferenciada. Foto: Kacio Lira

Poucos elementos carregam em si o poder de revolucionar ambientes praticamente sozinhos. As pedras naturais fazem parte dessa seleta lista, afinal, a beleza intrínseca de mármores, quartzitos e granitos é sempre destaque, como no Projeto La Cava, no qual o Paraná Calacata abraça o espaço. “Essa pedra está em nosso coração: utilizamos em quase 90% das propostas do escritório”, contam as arquitetas Betina Tessmann Schmidt e Isadora Shuck Clarimundo, do BT Arquitetura.

Os rótulos flutuam em frente ao mármore escolhido para a adega, um corte que encanta pelas rajadas com tonalidades sobrepostas. Fotos: Cristiano Bauce

A ideia foi projetar um espaço para os amantes de vinho, onde as garrafas ficassem suspensas, como se flutuassem em frente ao mármore, sustentadas por pranchas de acrílico e vergalhões. O resultado é uma composição que evidencia o luxo da pedra brasileira, digna de protagonismo.

Fotos: Cristiano Bauce

Intensidade. Não há composição com pedra natural que não seja definida por essa palavra. Afinal, nenhum elemento se compara com a potência dos blocos desenhados pela própria natureza. Por isso, a arquiteta Patricia Furukawa costuma elegê-las peças-chave em seus projetos: “Eu as utilizo com o intuito de agregar valor, não só estético, mas também conceitual. Ao meu ver, a pedra transcende sua exímia beleza”.

Do solo baiano nasce o Blue Explosion, raro e requisitado para exportação. Multicolorida, a montanha que faz divisa com Minas Gerais concebe rochas em azul, verde, vermelho, amarelo… Quanto mais azulada, mais valiosa a rocha se torna. O bookmatching resulta em desenhos inesperados e verdadeiramente singulares. “A elegância e imponência desta pedra me fascinaram assim que a encontrei”, revela a arquiteta Patricia Furukawa, que vê nos tons marcantes e neutros a sua identidade de projeto. Foto: Kacio Lira

Patricia acredita que o ponto para ser assertivo no uso de rochas ornamentais seja a leitura da identidade projetual a ser utilizada para cada cliente. Assim, a inserção torna-se intencional e específica para transmitir sensações e provocar experiências sensoriais em cenários específicos — quente ou frio, clássico ou contemporâneo

Para o principal elemento da sala de jantar – a mesa –, o escritório Gallasch Studio elegeu o Gris Armani Polido. “Optamos por ela pelo tom acinzentado, que é mais leve e suave que o preto”, explica o arquiteto Stefan Gallasch. Foto: Fábio Jr. Severo
Exótico, refinado e de alto padrão, o Nero Michelangelo foi eleito para a cozinha do escritório Gallasch Studio. O acabamento escovado criou um contraste com o restante do ambiente, que é inteiramente revestido em vidro preto brilhante. Foto: Fábio Jr. Severo

O Brasil também importa rochas para criações arquitetônicas e de design nacionais. Entre os principais países, está a Itália, lar de algumas das pedras naturais mais extraordinárias do mundo, como o Carrara e o Nero Portoro, extraídos de regiões próximas. Este último transcende os padrões: entre os veios há a presença de ouro. “Percebemos alguns ‘espaços vazios’ puros, formando peças geométricas.

Foto: Kacio Lira

Tamanha é a força da natureza que essa característica parece ser intencional: os veios são interrompidos de uma forma impressionante”, revela Deisi Priori. Para a arquiteta, cada pedra é uma obra de arte que a natureza esculpiu. “O cliente tem que se identificar com o movimento dos veios, rajadas de tons fortes e fracos, contrastes. Isso é muito cultural. Traz originalidade e exclusividade que encantam e diferenciam cada projeto”.

O quartzito Emerald Green confere uma sensação de conforto, acolhimento e frescor com o verde, que predomina na rocha, mesclado com colorações douradas. Pode ser trabalhado em padrões foscos ou translúcidos. Foto: Grupo Guidoni
Entre os tons terrosos, o granito exótico Black Taurus é marcante. Com fundo ébano, traz veios em dourado e bege, além de valorizar o ambiente com padrões dignos de uma obra de arte. Foto: Grupo Guidoni

Quando o assunto são rochas ornamentais, não há limites para a imaginação. O arquiteto Gustavo Barnabé acredita que o quartzito, assim como outras pedras naturais, é como a digital e o DNA: único.

Em tons de verde, branco e preto, o Quartzito Gaia vem da região da Bahia. Os trechos mais claros são cristais de quartzo translúcidos, característica que o torna ideal para propostas com retroiluminação. O material é texturizado — por ser escovado, permite sentir as rugosidades da pedra ao toque, uma experiência natural, prazerosa e multissensorial. Foto: Kacio Lira

A variedade de aplicações faz com que os elementos sejam reconhecidos, também, pela pluralidade de usos — podem estar em mobílias, fachadas, mosaicos e quaisquer outros lugares, de acordo com as suas características. “As pedras podem se tornar obras de arte, se forem bem aplicadas, como a peça principal do ambiente, sempre feitas para valorizar”, diz Gustavo.

A profundidade do Mármore Michelangelo Grigio é a estrela do projeto assinado por Belotto Scopel Tanaka Arquitetura. Na composição, a pedra natural emoldura o interior do móvel com design contemporâneo. Foto: Eduarco Macarios
Marcado por dualidade, o Mármore Nero Marquina, que compõe o projeto da arquiteta Letícia Neves Fogaça, se destaca pelo contraste entre o fundo preto e os veios claros. Foto: Fábio Jr. Severo

Esteticamente, quartzitos são similares aos mármores, porém possuem mais brilhos e translucidez, de acordo com David Kraisch. Os translúcidos são chamados de cristais de quartzo. Além de serem extremamente resistentes, não possuem restrição de uso ou aplicação. Por não ser porosa, a superfície possui baixa absorção de líquidos, o que a torna vantajosa em relação a outros revestimentos.

Os tons singulares do Quartzito Tiffany Green fazem dele sinônimo de luxo, assim como a marca que inspira seu nome. É um quartzito muito puro e translúcido. Por isso, pertence à família dos critais de quartzo, mesmo grupo das esmeraldinas, amazonitas e turmalinas — rochas similares. Quando em gemas, materializa joias valiosas, como colares e brincos; em placas grandes, costuma ser explorado como rocha ornamental. Foto: Kacio Lira

“Nossos lavabos se resumem a uma boa pedra e a um bom papel”, conta a designer de interiores Handry Roth. Além desse tipo de ambiente, a profissional aposta em quartzitos e outras rochas em lareiras, painéis de TV, portais de elevador, halls de entrada e outras composições como protagonista por conta do enriquecimento visual que proporcionam.

Lareiras são naturalmente charmosas. Com a concretização do elemento em Mármore Michelangelo Branco Paraná Nuvolato em um design ousado, o living executado pela arquiteta Samara Barbosa se tornou sinônimo de luxo. Foto: Marcelo Stammer
Até mesmo os revestimentos industrializados possuem certas quantidades de pedras naturais, como o quartzo, na composição, a exemplo do Dekton aplicado no projeto do escritório Zucki Bellincanta. Foto: Grasi Mohr

As vantagens do uso das pedras são incontáveis. Entre elas está o aproveitamento de grandes dimensões, possibilitando aplicação com poucas emendas, como explica a arquiteta Eduarda Zucki, do escritório Zucki Bellincanta: “Em muitos casos, o bookmatching, que é esse efeito de continuidade entre uma chapa e outra, cria resultados incríveis e cheios de identidade”

“A reserva mais especial, extraordinária e rara que se encontra na jazida do Michelangelo Branco Paraná”, explica David Kraisch sobre o Michelangelo Calacatta Oro Premium. Ele representa menos de 1% da produção da pedreira com fundo claro puríssimo e veios largos e contínuos. Antigamente, era explorado como cal para o setor de construção civil. De três décadas para cá, passou a ser comercializado como rocha ornamental — a mais resistente a risco e abrasão que existe no planeta. Foto: Kacio Lira

Versáteis, as rochas ornamentais podem receber diversos acabamentos, como polido, levigado e bruto. “Isso nos proporciona um leque bem interessante na escolha de acordo com a proposta do projeto. Sem falar da resistência e da durabilidade que o material traz”, conta Eduarda.

A extensão da rocha a torna imponente no espaço, que ganhou vida com o Michelangelo Calacatta Oro Premium. “Esta pedra é atemporal e traz em si força por ter veios mais escuros e marcados, mas ao mesmo tempo representa requinte e elegância por seus tons claros predominantes”, compartilha Eduarda. Foto: Grasi Mohr

Rochas como o mármore são encontradas em diversas cores nas jazidas pelo mundo, a exemplo do Calacatta Blue, que reflete a vivacidade das pedras naturais. Quem opta por essas peças traz para os espaços que habita a estética exótica da natureza.

A cor vibrante do Mármore Calacatta Blue é rara: pelo mundo, o número de jazidas com tonalidades azuladas não chega a dez. Por isso, são consideradas extremamente valiosas. Permeada por vivacidade, a pedra tem tudo a ver com o estilo do escritório comandado pela arquiteta Vanessa Larré: “Nossas vidas e nossos projetos são coloridos, não abrimos mão de ousar nas cores”. Foto: Kacio Lira

“Existem aqueles que preferem blocos mais rajados, com veios, mais movimentos, e há quem queira padrões mais lisos, sólidos, de tonalidades com poucos elementos. A unicidade é realmente a beleza de cada produto”, acredita a arquiteta Vanessa Larré.

O Mármore Gis navaggio NPK energiza dos pés a cabeça o morador da suíte projetada pela arquiteta Viviane Loyola. Em toda a extensão da sala de banho, rouba a cena com as tonalidades intensas e as rajadas que criam um contraste marcante. Foto: Eduardo Macarios
A sala de banho assinada pelas arquitetas do escritório BT Arquitetura traz o charme do Mármore Bottero. Betina Tessmann Schmidt e Isadora Shuck Clarimundo buscaram uma pedra que fosse o ponto alto da suíte sóbria e elegante. Foto: Cristiano Bauce

Originado na jazida de Macaúbas, na Bahia, o Quartzito Garda inspira com traços que parecem pinceladas em obras-primas. Os movimentos dos veios lembram os céus pintados por Leonardo Da Vinci ao misturar os cinzas azulados com nuances de amarelo queimado. A percepção é da arquiteta Vanessa Schmidt, do Blanc Arquitetura e Decoração. A rocha, que faz paginações diferenciadas e é resistente, costuma ser exportada.

Foto: Kacio Lira
O moderno encontra o contemporâneo no projeto assinado pelo Estúdio Cassia Kroeff, que tem o Quartzito Perla Santana como elemento-chave. A pedra é emoldurada pelo espelho em uma composição que mescla materiais e cores neutras. Foto: Marcelo Donadussi
Desenhado pela equipe do Studio Set7, responsável pela criação deste projeto em Balneário Camboriú, o buffet possui revestimento em vidro Pietra Santa Carrara Lúcido com sistema de aberturas invisível. Protagonista, a estrutura foi emoldurada com mármore Marrom Imperador, recebendo o espelho bronze e um perfil de LED. Foto: Alexandre Zelinski

Delicados e incomuns, os tons claros de cinza e vermelho se cruzam nos veios marcantes do Mármore Frangélico, peça luxuosa que arremata as composições em que está presente. Uma formação química conferiu à pedra os traços avermelhados — característica que não se repete em nenhuma outra rocha nessa dimensão. Faz parte da mesma família do Donatello e do Rafaello, com os quais compartilha a origem: o solo da Bahia.

Foto: Kacio Lira

O time do escritório MarchettiBonetti+ Arquitetos Associados explora pedras naturais como aliadas à sofisticação ou ao despojamento. “Mármores, granitos, ônix, pedras sabão e basaltos, perante aos olhos dos clientes que nos procuram, agregam muita sofisticação”, conta a arquiteta Tais Marchetti Bonetti. Os profissionais acreditam que as rochas proporcionam uma textura única e outras características exclusivas, como a pluralidade de estilo e o aspecto natural.

Quem passeia pelo Pátio Batel, em Curitiba, tem sob os pés o resistente e elegante Mármore Michelangelo Nuvolato. Foto: Diego Pisante

 O Mármore Travertino Romano cinza acetinado aparece no projeto assinado pela equipe como forma de unir descontração e durabilidade de um piso de pedra natural com a sofisticação do mármore. Ao mesmo tempo, a peça selecionada traz um tom de cinza como pano de fundo para a área social da cobertura, que é emoldurada pela vista à beira-mar.

Os tons acinzentados do Mármore Travertino Romano percorrem o projeto assinado pelo escritório MarchettiBonetti+ Arquitetos Associados. Foto: Rô Reitz

A alta resistência a fatores como absorção de líquidos, altas temperaturas, impactos e riscos do quartzo faz com que os revestimentos feitos a partir do elemento sejam requisitados em projetos arquitetônicos e de interiores, mas há um outro ponto determinante nessa equação: a pluralidade de cores.

Presente em joias que enaltecem as gemas preciosas, o Crystal Rosé Quartz mescla tonalidades rosadas — quanto mais rosa, mais nobre a pedra translúcida é. Integra a família dos cristais, próximo das ametistas e rodonitas. Foto: Kacio Lira

Esse tipo consiste na combinação perfeita entre beleza e durabilidade, apresentando acabamento natural com nobres texturas e uma grande paleta de cores e tons para todos os tipos de projeto, como azul, branco, amarelo, cinza e rosa.

Pano de fundo de encontros entre família e amigos, a sala de jantar merece um elemento que eleve a atmosfera do ambiente, como o Taj Mahal — protagonista do projeto da arquiteta Viviane Loyola. Foto: Marcelo Stammer

 

Publicações Relacionadas