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20 set 2021

DECORAÇÃO

Estilos de decoração: por trás dos cenários do cotidiano
DECORAÇÃO

Estilos de decoração: por trás dos cenários do cotidiano

As culturas aparecem na História por meio de diferentes registros — entre eles, a arte, a arquitetura, o design e a decoração. Ao traçar uma linha do tempo dos estilos é possível viajar para cada época e compreender o que há por trás de traços, volumes, cores, materiais e outras características que marcam cada estética, da clássica à contemporânea.

O projeto assinado pelo escritório OSA Arquitetos é permeado pela estética minimalista por meio da pureza das formas, da distribuição dos elementos e da valorização da essência dos materiais. Foto: Fábio Jr. Severo

Projetar, construir e decorar um ambiente envolve questões funcionais, estéticas e afetivas. Cada escolha reflete não apenas o gosto pessoal de quem irá habitar aquele espaço, como também o que é considerado relevante e estiloso para a sociedade no momento. Não é exagero dizer que a arte, a arquitetura, o design e a decoração contam histórias — a da humanidade, através das épocas, assim como os registros de família, afinal, um objeto decorativo passado de geração a geração carrega em si as marcas cronológicas e as memórias de antepassados.

A sociedade evolui, as tendências mudam, mas há elementos de cada estilo que permanecem intactos. Ao transcender os limites do tempo, eles dão origem a variações, são ressignificados e explorados nos mais diversos contextos. Hoje, clássico, provençal, moderno, industrial, contemporâneo e minimalista predominam nos projetos arquitetônicos e de interiores.

Além da marca temporal, a beleza de cada estilo é a sua singularidade. Formas, volumes, cores e outras características entram em cena para dar corpo a uma ideia. Na estética clássica, por exemplo, as estruturas e os adornos suntuosos eram fortes indicativos de classe social, representando claramente quem pertencia à nobreza. Séculos depois, com uma atmosfera totalmente oposta, o industrial tomou conta dos cenários das grandes cidades, refletindo as mudanças econômicas e sociais do período.

Uma das partes mais interessantes dessa miscelânea é a sua pluralidade. Um ambiente sóbrio, com cores neutras e referências mid-century pode ser tão estiloso quanto um espaço permeado pela estética oitentista, com letreiros em neon e cores vibrantes. Essas e outras diversas possibilidades coexistem e podem, até mesmo, estar presentes em uma mesma proposta, a exemplo do japandi, que ganhou força nos últimos anos ao combinar o conceito japonês Wabi-Sabi — a “perfeita imperfeição” — com o elegante e acolhedor Hygge, da Escandinávia.

01. CLÁSSICO

A proposta para a sala jantar assinada pelo escritório Abittare Design era ter alma clássica. As cadeiras e poltronas são revestidas com tecidos nobres, como seda e veludo, e têm acabamento em botonês e arabescos. O ambiente é enaltecido por lustres retangulares com cristais e metais dourados para acompanhar a grandiosidade da mesa. Foto: Michele Canez

Ao fazer jus à sua origem na realeza, a decoração clássica é sinônimo de imponência e sofisticação, a começar pelos materiais, como a madeira nobre em tons médios e escuros. Por falar em madeira, é ela que dá vida aos móveis com design curvilíneo e rebuscado, dos armários com ornamentos na parte frontal às cadeiras com estofamento em ponto de capitonê.

Em propostas feitas a partir desse estilo, que é considerado atemporal — afinal, é utilizado há alguns séculos —, o extravagante é regra, começando pela arquitetura. O aproveitamento de elementos como colunas estruturais é um desses recursos. Nas cores, os tons beges, terrosos e acinzentados predominam, mas não são somente tonalidades claras que aparecem em propostas clássicas: preto, vinho e azul marinho são amplamente utilizados para provocar contrastes e agregar luxo, assim como o dourado, que reforça a suntuosidade.

Foto: Rudi Razador

Com o passar dos anos, houve uma atualização na estética clássica. Algumas por questão funcional e tecnológica, afinal, não é mais necessário ter candelabros espalhados pela casa para iluminar os ambientes. Mas essas peças inspiram a criação de luminárias e objetos decorativos com características parecidas, como lustres, cristais, cortinas de veludo, pinturas da natureza, retratos e espelhos, agregando aos espaços a atmosfera intensa e elegante do estilo clássico.

Foto: Rudi Razador

Entusiasta da decoração clássica e todo o seu charme, a arquiteta Graziele de Souza é referência quando o assunto é projetar ambientes suntuosos e marcantes inspirados no estilo. O living integrado assinado pelo escritório ilustra a paixão por tudo que é clássico: dos materiais de alto padrão, passando pela paleta de cores que valoriza o dourado e os tons fechados, como o vinho e o azul marinho, até chegar à estrutura arquitetônica imponente, com pé-direito duplo com painéis extensos e espelhos ornamentais.

O acabamento bisotê nos espelhos, que estão presentes nos painéis e nos móveis refinados, representam a riqueza de detalhes do estilo clássico, que dispensa qualquer aproximação com o minimalismo. Foto: Rudi Razador

Uma das assinaturas mais expressivas do estilo é o uso de tapetes orientais, como o persa, que neste living recebe a mesa de jantar — marcando o eixo entre as salas de estar e de jantar. O maximalismo nos detalhes faz com que a atmosfera torne a passagem pelo espaço memorável.

Indispensável em ambientes clássicos, a simetria está presente na residência projetada pelo escritório Valliatti & Patrão. A escada ganha forma com o Mármore Bege Royal, que reveste o volume escultural da estrutura com guarda-corpo em ferro forjado. Foto: Celso Pilati

“Um ambiente clássico é atemporal e complexo para ser projetado”, acredita a engenheira e designer de interiores Iara Ribeiro. Inspirado nas arquiteturas grega e romana, além de remeter à decoração de palácios da nobreza na época do Renascimento, o estilo é marcado por espaços amplos, elegância e pequenos detalhes que fazem uma grande diferença. Para a profissional, não é preciso abrir mão do projeto moderno para aderir a ele, apenas saber como harmonizar os detalhes clássicos e contemporâneos. “Isso transfere personalidade e torna o espaço mais atual”, diz.

No projeto assinado por Iara Ribeiro, o balcão Levi com detalhes em inox gold, as poltronas, a testeira e o formato da lareira e os tapetes persas evidenciam a estética clássica. Foto: SLA PhotoStudio

A seleção e o cuidado com os móveis são estratégicos na composição de um ambiente clássico. Afinal, não é toda peça que carrega a imponência do estilo. “É possível encontrar peças originais em bom estado, realizar reformas naquelas não estão bem conservadas ou adquirir artigos novos que simulam os mais antigos”, sugere Iara. Cabeceiras adornadas, poltronas estofadas, cores neutras e detalhes metalizados em dourado, prata ou bronze são uma aposta certeira. Os lustres também são itens bem particulares desse tipo de decoração.

O rodapé mais ornamental e mais alto é um dos elementos mais utilizados em propostas clássicas, como ilustra o projeto executado pela designer de interiores Katia Herzog. Foto: Nenad

Estilo clássico revisitado e com muito requinte é a aposta para a sala de jantar assinada pela designer de interiores Katia Herzog. A composição conta com elementos tradicionais como boiserie, lustre italiano, pedra translúcida e laca, que contrapõem o contemporâneo da adega, poltronas e o piso escama de peixe, criando uma atmosfera de aconchego e conforto.

Linearidade e simetria proporcionam a sensação de bem-estar e ordem que marca o living. No centro da sala de estar, a mesa com design arrojado e revestimento em espelho arremata o décor com funcionalidade e estilo. Fotos: Nenad

“Mais do que a exuberância evidenciada no local, o desafio foi trazer a funcionalidade”, revela Katia. “Também faço o uso de materiais nobres como mármore, lâminas de madeira, metal gold, além da tapeçaria e tecidos para compor com a sofisticação o que um ambiente clássico representa”.

Fotos: Nenad

A simetria aliada às curvas do design de mobiliário clássico cria composições altamente elegantes. No living assinado pela designer de interiores Katia Herzog, os móveis soltos e as peças talhadas à mão, assim como os boiseries e os lustres luxuosos, corroboram para a sofisticação da proposta que utiliza base neutra em tons de off-white e elementos estratégicos em contraste, como os tapetes persas, as poltronas em vermelho e dourado e o painel em pedra natural preta.

Fotos: Nenad

O arquiteto Rodolfo Fontana não encara seus ambientes como clássicos, mas com uma arquitetura atual. “É do nosso tempo, contemporânea, com elementos clássicos e respaldo histórico. Nada é fake. Tudo tem história e momento, como peças familiares e de antiquário em um mix com design assinado”, conta.

Foto: Matheus Kaplun

Para ele, a aparência clássica vem do uso de recursos projetuais de proporção e simetria, sempre presentes na história da arquitetura. “A arquitetura é um reflexo do nosso tempo, por isso a base dos ambientes é neutra e contemporânea: para poder receber esses objetos e moveis que já vêm cheios de presença e história”.

O lustre de cristal tcheco, herança da avó do proprietário, foi adicionado ao centro da sala de jantar executada pelo arquiteto Rodolfo Santana. Foto: Matheus Kaplun

No processo criativo da sala de jantar para grandes recepções familiares, liderado pelo arquiteto Rodolfo Fontana, o desafio foi integrar a antiga biblioteca do Comendador Fontana, seu trisavô, no apartamento que pertence aos seus pais. O ambiente recebeu uma base neutra e contemporânea com elementos clássicos — uma leitura que atravessa o tempo e resgata pontos-chave de cada estilo. O projeto luminotécnico, principalmente, esbanja a elegância do clássico, com o lustre de cristal, que pertencia ao acervo da proprietária, e as arandelas em estilo art déco da americana Corbett Lighting.

O rico acervo artístico da proprietária desta cobertura foi explorado na composição dos ambientes, a exemplo da coleção de peças Lalique sobre a mesa de pedra ônix caramel. Foto: Matheus Kaplun

A mesa de jantar Elle, de Jader Almeida, recebeu as cadeiras da Artefacto Beach & Country personalizadas por uma artista curitibana, que aplicou folhas de ouro nas peças, e ao centro uma fruteira em prata de lei e cristal bávaro do período art nouveau. O grande apararador de seis metros é suspenso, apenas engastado nas laterais e livre no fundo. A tapeçaria de Concessa Colaço, peça marcante da sua fase de jardins — que deu origem às tapeçarias presentes no salão de banquetes do Palácio da Alvorada, em Brasília — arremata o décor.

Foto: Matheus Kaplun

No ambiente projetado pelo escritório Rodrigo Jorge Studio, o esplendor da decoração chama atenção. A proposta traz a sofisticação de tempos áureos, com décor clássico e direito a teto dourado, paredes em tom grafite quase preto, rodapés e alizares marcantes. Peças de Sérgio Rodrigues, como a poltrona Diz com revestimento em camurça; a icônica poltrona Fardo, de Ricardo Fasanelo; e a poltrona Presencial, de Jorge Zalszupin, integram o mobiliário de alto padrão.

Elementos marcantes em ambientes clássicos e cheios de história integram a proposta de Rodrigo Jorge, como as obras de arte, que conferem ao espaço um ar dramático e repleto de significado. Foto: André Nazareth

O local, que homenageia os antigos proprietários da residência, apaixonados por arte, valorizou obras de artistas como Picasso, Portinari, Franz Krajcberg e Walter Goldfarb. Esculturas de crianças, criadas a partir das obras de Portinari, aparecem em diferentes pontos do espaço.

O piso diagonal é um dos destaques da proposta que conta com gênios da arte e do design em um cenário marcado pela arquitetura clássica. Foto: André Nazareth
Foto: André Nazareth

“A arquitetura clássica tem um charme único que é resultado da combinação de diversos elementos. Isso explica por que muitas pessoas associam o estilo ao termo ‘chique'”. — Vanessa Olczyk (@vanessaolczyk_arquiteta)

Produção: @chateaublancitapema | Mobiliário: Poltrona Leroy Victorine (Kleiner Schein) | Vaso de chão Quartzo Fumê e pendentes por Carolina Haveroth | Cadeira Medalhão Delicate (Kleiner Schein) | Sofá Chesterfield | Foto: Kacio Lira

02. PROVENÇAL 

A casa de férias em East Hampton, Nova York, exala o clima de contemplação e relaxamento do interior. O projeto assinado pelo designer de interiores Dan Scotti explora uma estética provençal equilibrada, que torna o imóvel receptivo em todas as estações. Foto: Peter Murdock

As paisagens inspiradoras de Provença, no sul da França, arrancam suspiros com montanhas extensas e campos de lavanda que mais parecem poesia sob a luz do sol. No século 18, os camponeses que vivam na região decoravam suas casas com algumas características dos luxuosos palácios da realeza francesa. Assim, surgiu a decoração provençal, que com o tempo passou a ser vista como elegante e, até hoje, está presente em projetos de interiores.

O fino acabamento dos móveis, com entalhamento em madeira, principalmente em formato de concha, e linhas sinuosas, é marca do estilo que leva a estética campestre para ambientes residenciais. Outro aspecto das casas provençais era o uso de estampas florais, tons pastéis, especialmente rosa, azul e verde, e as listras e cenas rurais chamadas de Toile de Jouy. Essas padronagens estão presentes em papéis de parede, estofados, tecidos de cortina e almofadas, louças e adornos.

Apesar das similaridades com o estilo clássico, a simplicidade, o romantismo e a delicadeza a la provence fazem com que o estilo de decoração receba sua própria categoria. Acolhedor e atemporal, esse tipo de combinação crie o cenário perfeito para um chá das cinco em boa companhia.

As pets Lexi e Harley, “praticamente as donas da casa”, de acordo com Julienne, passeiam pelos cômodos em estilo provençal. Foto: Justin Coit

O charme e a atemporalidade do estilo provençal ultrapassaram as fronteiras da França e chegaram aos Estados Unidos — mais especificamente na casa da dançarina Julianne Hough, que apostou na estética romântica do país europeu para compor o próprio lar.

Um dos ambientes mais frequentados na residência, a cozinha recebeu armários em um tom específico que mistura azul e verde, uma das exigências da moradora para garantir uma atmosfera romântica. As madeiras rústicas dos móveis foram recuperadas para o projeto que conta com um recanto informal e íntimo para o café da manhã, peças garimpadas e flores por todos os lados.

Lúdico, charmoso e iluminado, o estilo provençal permeia a confeitaria curitibana, onde a doçura dos pratos se confunde com a delicadeza dos cenários. Fotos: Dea Fylyk

Confeitarias são espaços essencialmente acolhedores e delicados. Afinal, não há nada mais doce do que sentar à mesa para saborear quitutes oferecidos por esses estabelecimentos. Adicione a essa mistura o charme do estilo provençal e tenha um espaço tão charmoso quanto receptivo. Foi essa a receita da Goodies Bakery, projetada pela arquiteta Patrícia Azoni.

Fotos: Dea Fylyk

O espaço contemplava uma cozinha e uma área de refeições – ambientes com abertura para o quintal da casa. A ideia inicial foi demolir vãos para tornar um só espaço e comunicá-lo ao salão existente da confeitaria, ampliando, assim, o atendimento. Entre os destaques estão as nuances dos tons da paleta de cores e os objetos garimpados.

A porta, que é datada de 1917, foi restaurada. A estrutura estava com cinco camadas de tinta, a mais aparente na cor amarela. “Ao realizar a prospecção a surpresa foi enorme: a cor original era azul, em ton sur ton com a bay window já projetada com um confortável sofá, que se tornou o canto de leitura”, conta Patrícia.

Fotos: Dea Fylyk

O estilo provençal acompanha todas as unidades da marca. Nesta, a paleta de cores dos boiseries nas paredes e no mobiliário enriquecem a cenografia, que conta ainda com espelhos bisotados, flores de seda e papel de parede rústico. A escolha de itens de antiquário traz requinte e história através de um retrofit da mesa e banco antigos, o sofá capitonê projetado sob medida para o espaço, assim como as cortinas do cenário lúdico e provençal. Já o desenho de forro, criado cuidadosamente com desenhos lineares, simula um carrossel em movimento com cavalinhos suspensos.

A magia dos carrosséis foi o ponto de partida para a concepção da padaria de Curitiba, que mostra, de maneira lúdica, a beleza do estilo provençal. Fotos: Dea Fylyk

Entusiasta do estilo provençal, a designer de interiores Handry Roth explora a estética nos projetos que assina, como nesta cozinha em tonalidade azul com puxadores acobreados. A inspiração costuma vir de elementos desse estilo, como o gesso-cré, técnica de pintura que mistura cola e gesso, a responsável pelo desgaste natural nas extremidades dos móveis.

Produção: @chateaublancitapema | Mobiliário: Coleção Benito (Kleiner Schein) | Foto: Kacio Lira

A fantasia por trás do estilo provençal, que remete ao cenário de um conto de fadas, faz com que essa decoração seja amplamente explorada em quartos infantis, como o projetado pela arquiteta Patrícia Azoni para a futura moradora, a pequena Júlia. O lustre é um dos itens mais marcantes da proposta, tão delicado e ornamental que reflete perfeitamente a atmosfera provençal desejada pelos pais.

As linhas orgânicas, as paginações simétricas em um ritmo de repetições delimitadas por molduras e os acabamentos em botonê criam um cenário de princesa para a primeira infância da moradora. Foto: Rodrigo Ramirez
Foto: Rodrigo Ramirez

A inspiração veio dos rabiscos da mãe da menina, que sabia exatamente o que queria: molduras, espelhos e nichos, além de boiseries que foram paginados para que se encaixassem harmonicamente. O tom prata envelhecido do revestimento orna com o voil com brilho, o berço e a mini namoradeira em estilo clássico com pintura prata, além da poltrona de amamentação – item indispensável no ambiente afetuoso.

Foto: Rodrigo Ramirez

Todos os tipos de ambientes podem ser exibir o charme singular do estilo provençal, mas a decoração tem um aspecto diferenciado em cozinhas. O projeto de Silvana Caporal é um exemplo dessa ideia: ao apostar em móveis com o acabamento inspirado no design típico do sul da França, a engenheira criou um cenário naturalmente acolhedor, como a cozinha deve ser.

Tons claros e estampas sutis compõem um cenário romântico na cozinha projetada por Silvana Caporal. Foto: Ronald T. Pimentel

As cadeiras acompanham a proposta dos armários, assim como a mesa com pés brancos e tampo em madeira de lei. O lustre em ferro pintado branco e cristal harmoniza com os puxadores tipo concha dourados. Já o papel de parede com pássaros remete ao romantismo e à natureza, assim como a cortina em linhão desenhado com pingente traz ao espaço o aconchego das casas interioranas.

Foto: Ronald T. Pimentel

Em releituras, o estilo provençal acrescenta doses de charme a proposta de interiores, como no projeto executado pela arquiteta Vanessa Kairiyama. A ideia era criar um espaço rústico e chique para receber família e amigos. Os moradores cariocas queriam uma decoração despojada, leve com cara de casa, não de apartamento.

Foto: Mariana Orsi

“A pedido da cliente, colocamos muita madeira e o azul do mar na cozinha e até nos eletrodomésticos, além de objetos de decoração e móveis”, descreve a profissional. A mesa de jantar e a bancada da cozinha de tora de madeira arrematam a decoração. Os ladrilhos hidráulicos se destacam na composição, assim como o espaço com plantas, que confere ao apartamento a sensação fresca de varanda.

Clássico, o azul é a estrela da proposta executada pelo escritório VNK Arquitetura. O branco, um par naturalmente harmônico com o tom azulado, aparece na bancada e nos detalhes do piso hidráulico. Foto: Mariana Orsi

“O estilo provençal é romântico, acolhedor, transmite leveza e aconchego em ambientes luminosos. É composto por móveis claros, muitas vezes brancos com estampas florais”. — Handry Roth (@handryroth)

Produção: @chateaublancitapema | Mobiliário: Mesa de jantar Vintage e Cadeira Medalhão (Kleiner Schein) | Foto: Kacio Lira

O3. MODERNO

No centro de Curitiba, o apartamento projetado por Giuliano Marchiorato Arquitetos permite a entrada abundante de luz natural e valoriza a vista para a vegetação do Parque Barigui, o maior da cidade. Foto: Eduardo Macários

Beleza e conforto são características imprescindíveis em projetos de interiores — isso todo mundo sabe. Mas, a partir da ótica do modernismo, elas não são as únicas, pelo contrário: ambas só fazem sentido se estiverem estruturadas pela razão ou, como chamam os modernistas, a função. A frase “a casa é uma máquina de morar”, do arquiteto modernista Le Corbusier, sintetiza essa ideia. O intelectual suíço foi um dos expoentes do movimento, que marcou não apenas a arquitetura, como também a arte e a literatura a partir do século 20.

A escola vanguardista Bauhaus, fundada na Alemanha em 1919, foi uma das precursoras do modernismo e é considerada, até hoje, referência no assunto. No Brasil, foi a partir da Semana de Arte Moderna, em 1922, que artistas plásticos e escritores desencadearam a transformação que impactaria o modo de projetar nos anos seguintes. Ícones como Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Paulo Mendes da Rocha e Lina Bo Bardi encabeçaram as mudanças provocadas de romper com o tradicionalismo de estilos anteriores. E assim o fizeram.

Em projetos de interiores, o modernismo é identificado pela linearidade, pelo uso de materiais na sua essência, cores sóbrias com toques estratégicos de cor, valorização da luminosidade natural, formas simples e geométricas, além de plantas livres e integradas. No design de mobiliário, o conceito de “forma e função” também é valorizado, uma combinação que resultou em peças atemporais, como a Cadeira de três pés em cinco madeiras, de Joaquim Tenreiro.

Fotos: Eduardo Macários

Quando as cortinas se abrem, a natureza entra para dialogar com os apartamentos projetados pelo escritório Giuliano Marchiorato Arquitetos. As escolhas assertivas feitas pelo arquiteto na concepção de seus projetos tornam cada ambiente um exemplo da essência modernista: forma e função caminham lado a lado em perfeita harmonia.

Ícone do design modernista brasileiro, a poltrona Mole, de Sérgio Rodrigues, foi criada em 1957. Atemporal, a peça reforça a estética elegante e funcional do apartamento projetado por Giuliano
Marchiorato. Foto: Eduardo Macários

No duplex com fundo totalmente branco, a estética moderna permeia a proposta — da disposição dos móveis no ambiente integrado à escolha por peças assinadas e à valorização da luz natural. Juntos, esses elementos criam uma composição marcada pela fluidez.

A base escura e neutra cria um ambiente que tem na simplicidade a sua principal fonte de elegância. Com linhas retas e objetos estratégicos, o projeto mostra como o estilo moderno pode ser traduzido na contemporaneidade. Foto: Eduardo Macários

Criação do escritório Giuliano Marchiorato Arquitetos, o projeto para a sala de jantar partiu do tema “back to black”, representado, principalmente, no mobiliário assinado que esbanja elegância por meio não só da cor, como também da linearidade dos traços.

Foto: Eduardo Macários

Já o loft Batel surgiu da vontade de um jovem empresário em ter um refúgio para sua vida agitada de reuniões. O conceito do projeto é claro: um apartamento compacto sem excessos, mas com uma arquitetura singular, minimalista em sua forma pura e com peças de design brasileiro. Madeira, concreto e preto foram os três elementos principais escolhidos pelo arquiteto para simbolizar a vida urbana, contemporânea e minimalista do morador — premissas que ornam com a essência modernista.

No loft executado pelo escritório Giuliano Marchiorato Arquitetos, cada elemento tem uma função determinada. As peças assinadas agregam beleza e funcionalidade e tornam dispensável qualquer ornamentação excessiva. Foto: Eduardo Macários

Oposto a ornamentações excessivas, o modernismo valoriza a função. Não à toa, teve influência das mudanças sociais e econômicas na época de seu surgimento, como a revolução industrial. Mas isso não significa que não haja espaço para objetos decorativos bem selecionados, como neste projeto assinado pelo arquiteto Marcelo Salum.

Logo na entrada, o banco assinado por Domingos Tótora leva ao projeto os traços singulares e autênticos do design brasileiro, junto à obra de Fernando Lindote. Na sala de estar, o quadro de Juliano Aguiar rouba a cena. Foto: Fábio Jr. Severo
Foto: Fábio Jr. Severo

A ideia inicial da proprietária deste apartamento era a concepção de um espaço despojado, simples e sem excessos. A opção do escritório foi criar um ambiente sem tantas misturas. Em contraste, algumas paredes brancas ficam lado a lado com o carvalho americano que reveste as outras. O piso de bambu no mesmo tom cria uma unidade visual em uma atmosfera embalada pela paisagem praiana.

Foto: Fábio Jr. Severo
Foto: Fábio Jr. Severo

O design brasileiro fluiu e se reinventou no período modernista. O anseio pela valorização do nacional e a criação de uma identidade própria levaram a uma revolução no setor, dando origem a peças icônicas que, até hoje, representam a brasilidade mundo afora. Peças de design contemporâneas carregam em si as formas, os materiais e a alma do mobiliário criado no século passado. Esses itens conferem a projetos de interiores a estética modernista em sua essência.

Na sala de jantar projetada pelo arquiteto Marcelo Salum, as cadeiras de palhinha conferem leveza à composição, assim como a luminária Jabuticaba, da designer Ana Neute. Foto: Fábio Jr. Severo

“O ambiente moderno cria uma linguagem monocromática. O sofá em posição assimétrica traz leveza em sua forma e cor, enquanto a estante é versátil e os objetos pretos com volumes e texturas diferentes trazem sobriedade.” — Cristina Reinert (@cristina_reinet)

Produção: @sou.fadesign | Mobiliário: Sofá Arena, por Estúdio Pollus | Banco por Pedro Mendes | Luminária por Ibanez Razzera | Tapete por Christophe Vervaeke. Foto: Kacio Lira

As arquitetas Nauíra Gonçalves Cordeiro e Andressa Kohntopp Harger acreditam que a estética não deve ser a única variante a ser considerada na concepção de ambientes modernos. “Investir em novas tecnologias de automação, eletrodomésticos inteligentes e fazer uso de materiais renováveis e sustentáveis também tornam os espaços atuais e acrônicos”, explica. Em termos visuais, se aproximam do estilo as linhas retas, cores e estampas neutras e peças atemporais, como no projeto executado pelo duo.

Escolhidos a dedo, os móveis soltos são as peças-chaves na decoração, como as banquetas Palladio. Foto: Dani Buzzi

O apartamento situado em um edifício antigo possuía uma planta convencional compartimentada. A principal diretriz foi criar um layout aberto a fim de ampliar e promover a integração entre todos os ambientes das áreas sociais. A lavanderia, que antes dividia cozinha e churrasqueira, agora fica oculta pelas portas-camarão, o que permitiu uma conexão direta entre os espaços e maior fluidez na circulação. Já a marcenaria possui linhas retas, simples e minimalistas. A sofisticação se dá por conta do uso de materiais nobres como o corian cinza das bancadas e o mármore Donatello no volume da churrasqueira.

Para a dupla à frente do UNIC Arquitetura, criar um ambiente moderno é evidenciar tudo o que é simples, por meio das formas básicas e da matéria-prima utilizada. “É valorizar a luz natural, a delicadeza do vidro, a veracidade do concreto, do aço e da madeira, criando uma arquitetura singular”, revelam. Foto: Eduardo Macários

Criar uma atmosfera industrial sem deixar de lado o conforto que o morar exige foi o escopo para o desenho desse apartamento curitibano, lar de um jovem casal – ele, juiz de direito; ela, advogada e chefe de gastronomia.

Foto: Eduardo Macários

Assinado pelas arquitetas Carolina Danylczuk e Lisa Zimmerlin, à frente do escritório UNIC Arquitetura, o projeto abusa de referências urbanas, que reverberam, em cada escolha, o estilo e preferências dos moradores, grandes apreciadores de design brasileiro, arte, plantas, viagens e gastronomia, é claro.

A interação dos ambientes, a funcionalidade dos elementos desenhados, os materiais neutros e as superfícies espelhadas criam a atmosfera ampla, moderna e com personalidade. Fotos: Eduardo Macários

A linguagem unificada é um dos grandes diferenciais do apartamento, que ganha um pórtico estendido por todo o living, se conectando com o túnel em madeira no hall de entrada e se transformando em um pano de fundo para a sala de estar e jantar. O contraste entre os tons madeirados, preto e branco garante equilíbrio e aconchego, permitindo, ainda, um destaque para obras de arte.

Fotos Eduardo Macários

Elementos desenhados pelo escritório também assumem protagonismo no ambiente, como os cabos de aço que saem do rasgo de iluminação do pórtico e estruturam as prateleiras e o aparador branco. O aparador da sala ganha ainda parte do revestimento em aço corten cinza. Outro acabamento que auxilia na coesão da residência são as ripas em concreto que agregam uma textura bruta e arrojada aos espaços.

Foto: Eduardo Macários

Relativamente, pouco tempo se passou desde o começo do movimento modernista. De lá para cá, foram muitas mudanças sociais, econômicas, políticas e tecnológicas, mas a essência revolucionária do modernismo segue relevante. Assim, muitas criações contemporâneas bebem da fonte modernista, explorando as características atemporais do estilo.

O sofá multifuncional da Sierra, o lustre Bola e a cozinha integrada em pintura vermelho Ferrari são alguns dos destaques. Foto: Marcelo Stammer
Foto: Marcelo Stammer

Para o arquiteto Sérgio Valliatti Júnior, essa ligação é expressa pelo alinhamento do projeto com o perfil do morador. “Precisa refletir o estilo de vida de quem habita. O arquiteto propõe a medida correta e equilibrada dos elementos com produtos adequados em proporção, ergonomia e estética”, explica. Nesse sentido, os produtos com design assinado agregam ao resultado final, assim como o uso de revestimentos de qualidade, base monocromática e cuidado especial com a atmosfera que essas combinações proporcionam, como no projeto executado pelo escritório. Nele, o contraste entre o piso em madeira maciça e elementos em concreto aparente evidenciam a modernidade.

O mix de materiais, cores e peças assinadas conceitua a modernidade da proposta executada pelo escritório Valliatti & Patrão. Foto: Marcelo Stammer

“Para projetar um ambiente com estilo moderno é preciso pensar na funcionalidade e simplicidade no uso dos elementos, não vale usar peças desnecessárias ou ornamentos apenas pela função estética. Tem muita sofisticação, mas o foco é a praticidade.” — Rafaella Macedo (@rafaella_macedo)

Produção: @sou.fadesign | Mobiliário: Mesa Lateral Tub, banco Tripod e mesa de apoio Iron, por Maurício Bomfim | Sofá por Tri Design | Tela por Nathan Franco | Tapete Persa Reloaded. Foto: Kacio Lira

04. INDUSTRIAL

Composta por tons sóbrios, a paleta de cores do projeto assinado pelo UP ARQ inclui variações de preto e cinza, que juntamente à bancada construída em concreto e à laje nervurada aparente
agregam personalidade ao espaço. Foto: Grasi Mohr

A década de 1950 foi marcada por uma nova vertente estética na arquitetura, com traços que valorizavam os elementos estruturais dos edifícios: o estilo industrial. Em Nova Iorque, as casas invadiram os espaços comerciais, movimento que fez com que imóveis amplos e rudimentares, como fábricas e galpões, fossem ressignificados e se tornassem símbolos da arquitetura da cidade.

Essa estética urbana, jovem e despojada é marcada pela presença de materiais em sua essência e, principalmente, pelo uso de elementos estruturais como parte da decoração. O que antes era escondido, como tubulações, vigas, tijolos, blocos e acabamentos em concreto, além de desgastes naturais na aparência, passa a ser enaltecido em propostas industriais.

Na sua origem, o estilo nada mais era do que reflexo das mudanças sociais e econômicas da época. Com a romantização da vida na cidade, os cenários industriais passaram a ser desejados mundo afora. A última década foi marcada por uma ascensão do brutalismo industrial, agora, com a mistura de novas tendências, como o urban jungle — que explora a beleza orgânica das plantas em projetos de interiores — e a própria arquitetura contemporânea, com linearidade e a valorização de peças-chave que proporcionem fluidez no cotidiano.

Foto: Grasi Mohr

De caráter único e acolhedor, a residência projetada pelas arquitetas Janine Dal Prá e Graciela Dall Agnol, do UP ARQ, é predominantemente marcada pelo estilo industrial, que objetiva transmitir o estilo de vida dos clientes: despojado e leve. A beleza das imperfeições é celebrada e evidenciada pelas aplicações em madeira, metal e concreto em seu estado inacabado, que promovem uma atmosfera rústica e original ao ambiente.

O acréscimo de painéis de madeira itaúba, que ocultam os eletrodomésticos, e outros elementos naturais, como palha e cerâmica, que remetem à brasilidade e ao trabalho artesanal, proporcionam sensação de acolhimento. Foto: Grasi Mohr

Conceitual, a iluminação dá continuidade ao clima. Dispostas de modo suspenso à laje, calhas metálicas dão suporte a spots direcionáveis e lâmpadas tubulares que difundem e canalizam a luminosidade do ambiente. Pendentes rústicos de cordas participam da construção luminotécnica decorativa e funcional.

Foto: Grasi Mohr

O projeto executado pelos arquitetos do Boscardin Corsi para a nova sede de um empresa de criação e desenvolvimento de plataformas digitais imaginou conectar o ambiente externo com o interno, já que a vista, do alto da cidade de Curitiba, era de tirar o fôlego e merecia estar presente na proposta. As inspirações e referências vieram de obras corporativas que propunham uma nova forma de trabalhar. Nesse sentido, a estética é permeada por soluções industriais, mas com conforto.

Foto: Eduardo Macários
Com a obra recém entregue, a sala corporativa era uma caixa branca, vazia, sem vida. Porém, logo ao visualizar a sala pela primeira vez, duas coisas chamavam a atenção dos arquitetos: o enorme pé-direito, com a laje aparente, e a vista para a capital paranaense, através dos panos de vidro. Foto: Eduardo Macários

Os sócios da empresa priorizaram os momentos de interação e convivência entre os funcionários. Por isso, uma grande área de café, estilo cafeterias americanas, é um dos pontos chave do projeto. Vigas em madeira natural, revestimento subway tile – como nos metrôs, e acabamentos em marcenaria preta são alguns dos itens utilizados, em busca de um ambiente despojado.

Um dos destaques do projeto é a combinação de materiais arrojados, como o piso elevado em padrão amadeirado, o núcleo dos banheiros revestido externamente em chapas perfuradas de aço corten, paredes em pintura branca, cinza, azul, além de um quadro negro, textura padrão cimento queimado, revestimento metro tile branco e o forro central em madeira natural. Foto: Eduardo Macários

No projeto luminotécnico, a equipe optou manter a laje em concreto aparente e suspender eletrocalhas pretas por todo o escritório, responsáveis pela distribuição da iluminação. A composição está dividida em circuitos e tipologias como os pendentes lineares e funcionais sobre as estações de trabalho, os pendentes decorativos sobre a grande mesa de jantar e de trabalho, e os spots direcionados para a iluminação geral do ambiente.

Foto: Eduardo Macários

O forro ripado em madeira natural e o piso elevado também em madeira trazem aconchego e a natureza para o interior do escritório corporativo. Chama a atenção o pendente de heras na sala de reuniões, executado sobre eletrocalhas pretas e grade metálica, ambos suspensos da laje através de cabos metálicos. A sensação é de uma enorme forração pairando sobre todos que estiverem ali dentro.

No coração do escritório foi criada uma praça central, como uma recepção, um hall de entrada que cria um ambiente de descompressão. A jabuticabeira é a primeira a ser vista ao entrar na sala e, ao fundo, um volume em aço corten esconde o núcleo dos banheiros. Foto: Eduardo Macários

Crua e essencialista, a estética industrial ganha muito ao ser equilibrada com elementos que façam um contraponto à sua dureza. Obras de arte, iluminação quente, cores abertas, plantas e objetos decorativos criam um contraste bem-vindo nesse tipo de proposta, como no projeto assinado pelo escritório Boscardin Corsi.

Foto: Eduardo Macários

Peças de design assinado, a madeira e a paleta de cores intensas — até mesmo, em objetos estruturais, como a coluna — permitem que a atmosfera brutalista transmita afetividade e acolhimento, sem perder a autenticidade do rudimentar.

A perfeita imperfeição da estética permite que se conceba ambientes teoricamente simples, mas cheios de personalidade e história. Foto: Eduardo Macários
O concreto do chão, as vigas, as colunas e a laje aparente são marcas do estilo industrial; aqui, explorados na própria estrutura do espaço. Foto: Eduardo Macários

“Mais do que uma forma de morar, estilo industrial é a manifestação da cultura do desenvolvimento sustentável, preza pelos menores gastos e pelo reaproveitamento de materiais.” — Rita Vieira (@ritarv)

Produção: @sou.fadesign | Mobiliário: Poltrona Montana, por Felipe Protti | Foto: Kacio Lira

“Gostaríamos de propor algo diferente, mais conceitual”, conta o time do Belotto Scopel Tanaka Arquitetura, que desenvolveu o projeto para este espaço conceitual. A inspiração veio da instalação da artista plástica Eliane Prolik, exposta em 2015 no Mon, onde apresentou a obra “Atravessamento”. O projeto tem base neutra, quase monocromática, mas com alguns toques de cor que destacam pontos-chave do local. A repetição da eletrocalhas metálicas como base e pano de fundo direcionou o conceito. “Quisemos representar a vida contemporânea através de um olhar muito urbano. Partimos de uma proposta mais industrial contrastando com mobiliários e peças de design de grande valor”, compartilham os arquitetos.

A proposta é feita a partir da composição de diferentes texturas, como o metal, o couro, a madeira, a palha, o tricot e o linho, resultando em um loft sóbrio e, ao mesmo tempo, despojado. Foto: Eduardo Macários

A plenitude e a sedução das linhas curvilíneas na arquitetura são irresistíveis no projeto assinado pelo escritório Greisse Panazzolo Arquitetua para uma clínica médica. “Nossa proposta ao inserir as curvas no ambiente de espera foi conexão com às formas do corpo humano”, conta Greisse. Para a arquiteta, esse recurso transmite uma sensação agradável de bem-estar e intimidade.

Foto: Greisse Panazzolo

O tecnocimento foi o revestimento escolhido para criar uma base homogênea no projeto. Esse acabamento monolítico e minimalista foi aplicado no piso, na parede e em alguns móveis, criando amplitude e um volume único, sem emendas, juntas ou quaisquer divisões, e possibilitando, assim, ousadia em outras escolhas.

Texturas de materiais diferentes se complementam e deixam o ambiente envolvente, mesmo com um paleta de cores sóbrias. Foto: Greisse Panazzolo

O arrojo do estilo industrial colabora para a criação de propostas residenciais autênticas. Ao contrário de escritórios e outros espaços comerciais, a primeira palavra que vem à cabeça ao pensar em ambientes íntimos é acolhimento. Nesse sentido, é um desafio explorar elementos industriais, mas essa atitude se torna compensadora ao ver o resultado diferenciado, como na Casa Vila Mariana, assinada pelo escritório Júlia Otaga Interiores.

Foto: Fernando Crescenti

No pavimento térreo, o objetivo principal foi dar personalidade aos ambientes. Antes, os clientes sentiam que os espaços estavam subaproveitados, e também estavam insatisfeitos com os acabamentos. Ao unir texturas como concreto, tijolos e madeira às cores cinza escuro e preto, o time conferiu sofisticação e imponência a um estilo mais industrial e descontraído.

Os tons sóbrios são contrapostos pelo aquecimento proporcionado pela madeira e pelos toques de cor da ornamentação. Foto: Fernando Crescenti
Peças de design assinado agregam sofisticação à proposta, como a mesa lateral por Jader Almeida e os pendentes da Wentz Design. Foto: Fernando Crescenti

Os espaços também foram readequados. Na sala, a alteração permitiu a entrada de um novo sofá com cerca de três metros de largura, um rack e TV maiores. Aproveitando a reforma, também foram instaladas caixas de som no forro.

Clássicos do estilo industrial, os tijolinhos à vista são atemporais e ficam ainda mais charmosos com projetos luminotécnicos que destacam suas texturas. Foto: Fernando Crescenti

Já a cozinha foi ampliada, ganhando uma ilha espaçosa com cooktop e muitas gavetas e detalhes de praticidade, pois os moradores gostam de todos os espaços bem definidos e preferem a maior parte dos eletrodomésticos escondidos, para um ambiente mais clean.

A rusticidade e a valorização dos materiais em sua essência chegou ao design de objetos decorativos, como os eleitos para o projeto executado pela designer de interiores Júlia Otaga. Foto: Fernando Crescenti

“O estilo industrial é mais do que uma forma de morar: é uma manifestação da cultura da sustentabilidade, já que preza por destacar a arquitetura original do espaço, combinado a peças com design atemporal.” — Ana Carina Zimmermann e Rafael Dias (@casadeprojetos)

Produção: @sou.fadesign | Mobiliário: espelho Royal Oval, de Ále Alvarenga | Chaise goma, da Prototype | Poltrona Trevo Drink | Foto: Kacio Lira

05. CONTEMPORÂNEO

A interação com a natureza se faz presente em projetos contemporâneos, incluindo a luminosidade natural, que invade e enaltece os espaços, como no projeto assinado pelo escritório OSA Arquitetos. Foto: Fábio Jr. Severo

O período pós-moderno, a partir de 1980, é o que conhecemos como contemporâneo: aquilo que compartilha conosco o presente. Como reflexo da sociedade e dos seus anseios, o ato de projetar tem levado em consideração as novas tecnologias — a exemplo da automação, que já é uma realidade acessível em grande parte dos projetos —, a busca por refúgios em meio à multidão e a valorização da simplicidade.

Os volumes e as formas são prova disso: lineares, extensos e pensados para o melhor aproveitamento dos espaços, os elementos que compõem ambientes na contemporaneidade são, acima de tudo, inteligentes. Afinal, tiram proveito das lições aprendidas no passado, como a forma e a função do modernismo, a beleza crua de estruturas rudimentares do estilo industrial e por aí vai.

Entre os pontos fortes da decoração contemporânea está a integração. Derrubar paredes para criar vínculos é tarefa habitual dos escritórios de arquitetura e design de interiores, que exploram todas as possibilidades dos espaços ao eliminar as barreiras visuais. Nesse sentido de conexão, o envolvimento com a natureza — da vegetação à luz natural — são não só desejos, mas requisitos na busca por momentos offline em um mundo onde o digital toma conta do cotidiano.

Nos cenários leves e elegantes, com tons neutros, texturas naturais e multissensorialidade, um aspecto ganha força: o design assinado. Na contemporaneidade, a era da criação faz com que os objetos autorais falem por si. Excessos são dispensáveis, dando lugar à sutileza de peças-chaves, como móveis e objetos decorativos artesanais que contam histórias e carregam em si o talento singular de cada designer e artista.

Foto: Fábio Jr. Severo

Neste apartamento executado pelo escritório OSA Arquitetos Associados, a elegância da contemporaneidade se faz presente por meio de elementos-chave, como o uso de materiais em sua forma natural e a linearidade do design. Assim, a composição com diferentes texturas confere o estilo do ambiente.

Elemento irreverente na sala de estar, o banco BO, assinado por Zanini de Zanine, tem assento em madeira maciça e pés em ferro. Foto: Fábio Jr. Severo

Um dos destaques é a estante metálica com vidro canelado, que faz a ligação do home theater com cozinha goumert em pedra branca e banquetas em couro. Uma parede revestida em madeira demarca o espaço para mesa de jantar no mesmo material, com iluminação minimalista.

Foto: 3P Studio

De acordo com o time do 3P Studio, o projeto contemporâneo preza pela utilização de elementos, revestimentos e peças de mobiliário com características mais sóbrias, sem muitos adornos e decorações: “Buscamos por linhas leves e fluidas, contrariando os elementos de um estilo mais clássico, que são rebuscados e com mais detalhes por exemplo”.

Conforto acima de tudo: no estilo contemporâneo, além de “instagramável”, é fundamental proporcionar aconchego com móveis e acessórios, como mantas em cestos, compondo com a decoração jovial e despojada. Foto: 3P Studio

Essa premissa é ilustrada no projeto Shibui, que remete à “beleza revelada pela passagem do tempo”. O apartamento para um casal jovem trouxe elementos da cultura nipônica para o espaço de tons claros. Os ambientes integrados com mobiliários soltos permitem receber amigos de maneira informal e descontraída. Os tons neutros e o cimento queimado conferem contemporaneidade para o interior do imóvel, contrastando com os pontos de cores nas cadeiras e no corredor de passagem.

O cinza leve e menos rústico contrasta com o verde claro da proposta, que conta com elementos funcionais e cheios de estilo, como o espelho com cantos arredondados, plantas e objetos de decoração posicionados em um layout desconstruído, porém funcional. Foto: 3P Studio

Assinado pela arquiteta Alessandra Gandolfi, este projeto abusa de referências da natureza, que reverberam a paixão dos moradores pelo mar. Essa admiração serviu de fio condutor para desenvolvimento da proposta, refletindo na seleção de texturas e materiais naturais, como madeira em lâmina natural, corda, palinha, crochês e pedras, que trazem as sensações de paz e aconchego para dentro dos ambientes.

Foto: Marcelo Stammer

Com uma bela vista que divide a atenção dos presentes entre o mar da Praia Mansa e um morro, a sala foi integrada com a cozinha e com a sacada, permitindo maior luminosidade e circulação do ar no espaço. Destaque para o pendente decorativo situado sobre a mesa, que lembra as ondas do mar, para o sofá que leva a assinatura de Jader Almeida e pela estante, desenhada pela própria arquiteta.

A ousadia nas texturas em composições marcadas pela elegância de materiais essenciais é um dos pontos fortes da decoração contemporânea, como neste living que exala a atmosfera praiana. Foto: Marcelo Stammer

“Buscamos a dedo algumas referências de mobiliário e iluminação para trazer a referência de praia, tanto de formas, texturas e cores”, conta Alessandra. “Então, formas mais orgânicas, como do sofá e do pendente acima da mesa de jantar, os desenhos atuais, como a estante em madeira com pintura metálica, e a mistura de cores, reforçam esse estilo”.

“O estilo contemporâneo nos remete ao novo. Linhas minimalistas e sem excessos ditam esse estilo, mas sem esquecer da funcionalidade e do conforto.” — Sibele Ristow Wodzinsky (@sibelewodzinsky_arquiteta)

Produção: @virattoconcept | Mobiliário: Mesa de jantar Nima, Ronald Sasson | Cadeiras Halox e Luminária Folk, por Tecline | Tapete Hualopai, por Avanti | Estante Degrau, por Hadra | Foto: Kacio Lira

Com estética contemporânea, este apartamento duplex assinado pelo escritório Spaço Interior recebeu uma reforma parcial. O gosto dos moradores por elementos modernos e cores neutras levou à elaboração de um projeto clean, que proporcionasse uma atmosfera relaxante, além de aproveitar a luz natural para criar ambientes bem iluminados e ao mesmo tempo confortáveis, transformando o imóvel em um completo refúgio na cidade.

Foto: Kadu Lopes

A varanda recebeu um sofá branco, seguindo o estilo clean do projeto, mas por ser longa estreita precisava de mais movimento e vida. “Decidimos incluir um sofá curvo, em tom vinho, destacando-o por sua cor vibrante e criando uma atmosfera retrô, além de ser versátil e cheio de charme”, conta a arquiteta Ana Rozenblit.

Foscos, os acabamentos metalizados conferem toques de cor e elegância à proposta, em contraponto à neutralidade da paleta de cores claras. Foto: Kadu Lopes

O living recebeu obras de arte de autoria de Fernanda Naman e da atriz e fotógrafa Gigi Monteiro, que dão as boas-vindas a quem entra no espaço. Cada detalhe foi cuidadosamente pensado para criar um ambiente agradável e aconchegante. O painel ripado em madeira Carvalho foi criado estrategicamente para envolver a adega, que já estava no imóvel, mas ficava meio perdida. Desenhada pelo escritório, a estrutura envolve toda a área e cria efeitos incríveis, com a iluminação vinda de fora.

A cobertura duplex possui sala de jantar, living, cozinha, área gourmet e varanda no segundo andar. Em busca de integração, os ambientes íntimos e sociais dialogam ao mesmo tempo em que reservam a individualidade de cada morador. Foto: Kadu Lopes

Na contemporaneidade, a miscelânea de estilos e referências disponíveis permite que haja uma interação entre diferentes estéticas, como neste projeto, que tem predominância moderna com alguns toques clássicos, a exemplo dos boiseries e do lustre da sala de jantar.

Foto: Kadu Lopes

O projeto executado pelo escritório Valliatti & Patrão ilustra a contemporaneidade. Nele, os ambientes integrados — sala refeições e living principal com lareira e TV — têm pé-direito duplo, o que potencializa a conexão com a área externa, que conta com piscina e bosque. Um dos destaques vai para o volume da escada: centralizado e solto, ele forma um anteparo para a marcenaria. O lustre metálico em acabamento ouro escovado, as fotos da artista Nicole Wells e o buffet facetado e espelhado se destacam na proposta.

Conexão. Em um mundo digital e globalizado, os espaços íntimos exigem atmosferas acolhedoras que proporcionem contato com a natureza. Foto: Celso Pilatti
A amplitude do projeto, com total integração entre as áreas externa e interna, exibe a fluidez de propostas contemporâneas. Fotos: Celso Pilatti

“O estilo contemporâneo segue tendências da atualidade. Sua forma de decorar valoriza o melhor do design atual e está sempre em transformação. Beleza e funcionalidade andam juntos, com sofisticação e personalidade.” — Ryberg Arquitetura (@rybergarquitetura)

Produção: @novoespacointeriores | Mobiliário: Sofá Midi, por Mila Rodrigues | Poltronas Moon, por AsaDesign Almofadas Decortextil | Luminárias Aurora, por Modali Design | Peças Macaco e Coelho, por Modali Design | Foto: Kacio Lira

06. MINIMALISTA

Menos adorno, mais significado: para os minimalistas, cada escolha precisa fazer sentido, como na cobertura projetada pelo arquiteto Pedro Felix, onde a funcionalidade de cada ambiente vem antes da estética. Foto: Fran Parente

Na contramão de qualquer tipo de excesso, o minimalismo é uma filosofia de vida na qual o conceito de “menos é mais”, eternizado por Mies van der Rohe, é posto em prática para além de questões estéticas. Na arquitetura, o movimento se materializa e alcança o seu auge, assim como na decoração. O estilo surge como uma contracultura que evita o consumo exacerbado e sem significado.

Na prática, é traduzido em ambientes onde cada objeto tem uma função. É natural que lembre o modernismo, afinal, muito do que é considerado minimalista na atualidade surge a partir das revoluções estéticas de vanguarda ocorridas no século passado. A pureza dos traços, que devem ser de fácil leitura, a essência dos materiais, o equilíbrio entre forma e função: todas essas características são apreciadas nesse tipo de proposta.

Para além dos modismos, o movimento cria uma atmosfera mais limpa e atemporal – próxima do que as pessoas buscam atualmente em contraponto aos excessos da sociedade contemporânea. Esse desejo por espaços mais fluidos e elegantes na sua simplicidade tem se intensificado nos escritórios de arquitetura, o que reforça essa busca por cenários marcados por leveza e sentido.

Foto: Fran Parente

Ambientes comerciais têm muito a ganhar com o minimalismo, que guiou a concepção do layout para a clínica médica executada pelo arquiteto Pedro Felix. O projeto foi definido de forma a favorecer e facilitar a rotina dos médicos e funcionários. Igualmente importante foram as escolhas estéticas feitas para deixar tudo em harmonia, de forma leve e trazer o aconchego minimalista que é marca dos projetos do escritório.

O extenso painel e os móveis em tons amadeirados mostram como é elegante a valorização de materiais orgânicos na decoração. Foto: Fran Parente

“Buscamos aliar conforto e equilíbrio entre as composições de texturas, cores e volumetria. A ideia é que o paciente tenha uma experiência renovadora, alinhando a excelência do serviço à neuroarquitetura”, explica Pedro.

Fotos: Fábio Jr. Severo

Projetar para espaços de grandes proporções pode ser um desafio, ainda mais a partir de uma estética minimalista, na qual o menos é mais. Mas é possível olhar essa questão a partir de outra ótica: afinal, é necessário preencher cada metro quadrado? O apartamento de 550 metros quadrados assinado pelo arquiteto Pedro Felix ilustra a beleza na decoração com sentido.

A mesa de centro Twist, de Jader Almeida, se destaca no centro do décor com tons terrosos claros, que criam um cenário marcado pela leveza das formas e a pureza dos traços. Fotos: Fábio Jr. Severo

Os ambientes são fluidos e têm predominância de tons claros, mas com uma certa dualidade para não ficar na linha monocromática do branco e bege. “Escolhemos como base um piso de mármore champagne para todo o apartamento, fazendo contraste com o mármore marrom bronze Armani que reveste várias paredes”, explica o arquiteto. O painel em ripas de madeira abraça a arquitetura do living, criando um cenário de contemplação.

Foto: Fábio Jr. Severo
Três características fundamentais permeiam as propostas minimalistas: a valorização dos elementos em seus estados naturais, a abundância de luz natural e o design com propósito, como no projeto executado por Pedro Felix, que explora a linearidade com extrema sofisticação. Foto: Fábio Jr. Severo

As amplas aberturas e a mesa de jantar retilínea, com cadeiras em palhinha, criam uma composição charmosa e essencialista, sem cair na monotonia.

Foto: Fábio Jr. Severo

A madeira é amplamente aplicada no projeto de Pedro Felix, tanto nos revestimentos quanto nos móveis e objetos decorativos. Apesar do material ser comum em projetos de interiores, a forma como o arquiteto valoriza as cores naturais e o tom sobre tom das peças agrega estilo à proposta ao mesmo tempo em que a mantém leve. Esse é um dos trunfos do minimalismo: o equilíbrio estético.

Foto: Fábio Jr. Severo
Foto: Fábio Jr. Severo

Móveis e peças de design colecionáveis foram estrategicamente posicionados na casa onde a elegância reina.

Foto: Fábio Jr. Severo

Quartos infantis podem contemplar a essência minimalista até mesmo como parte da criação dos pequenos. No projeto do arquiteto Pedro Felix, o dormitório explorou tons amadeirados no piso, no painel ripado e nos móveis. Discreta, a decoração evita ruídos visuais e garante a segurança do morador.

Foto: Fábio Jr. Severo
Fotos: Fábio Jr. Severo

As cores aparecem sutilmente em elementos transitórios, como roupas de cama. Assim, os moradores ganham a liberdade de adaptar seus lares como desejarem.

Foto: Fábio Jr. Severo

O arquiteto Nildo José idealizou um projeto com ambientes fluidos e minimalistas. Englobando living, cozinha com sala de jantar, pátio com uma árvore ao meio e máster suíte, a casa foge de fórmulas prontas e do estereótipo da Bahia colorida, entretanto, expressa, em todos os detalhes, a ligação especial do profissional com sua terra natal de maneira sóbria, rica em arte, bossa e poesia.

Procurando transmitir uma essência elegante e ao mesmo tempo rústica, Nildo projetou uma arquitetura limpa, abundante em traços retos, com curvas pontuais que fazem analogia ao recôncavo baiano. A fachada, por exemplo, se expressa por meio de um rasgo estratégico, uma brincadeira volumétrica com luz e sombras. Na entrada da residência, uma lâmina de mármore com sal grosso, com 15 metros de extensão e iluminada por uma fita de LED, dá as boas-vindas aos visitantes e remete ao misticismo baiano de maneira criativa e sutil.

Inspirada nas premissas de uma arquitetura limpa e moderna, a arquiteta Ticiane Lima criou um ambiente de 125 metros quadrados dividido em living, banheiro e terraço.

O projeto assinado pelo arquiteto Felipe Hess se ancora na simplicidade dos elementos e visa destacar a plasticidade dos volumes e componentes arquitetônicos. A intervenção foi uma experimentação, uma maneira de repensar o valor da relação visual como articulador e ativador de experiências corporais.

“Acredito que, neste conceito de projeto, o ambiente ultrapassa o elemento estético por si só e avança para o reflexo do estilo de vida das pessoas que experimentam esses ambientes”, revela o arquiteto Osvaldo Segundo, do OSA Arquitetos, sobre a proposta deste apartamento. O minimalismo evolui para o essencialismo onde o “menos é mais” permite peças afetivas ou algum objeto de valor sentimental que tenha significado para determinada pessoa.

O contemporâneo entra por se tratar de um projeto alinhado como nosso tempo e modo de vida, desprovido de modismos e o mais atemporal possível. Protagonista do ambiente, a poltrona Lina, assinada pela Suíte Design, confere o ar moderno e despojado para sala e faz a ligação para sacada.

Tendência na decoração, o estilo ripado em branco cria um cenário visual leve, que respeita as proporções do móvel ao mesmo tempo em que oferece funcionalidade à proposta. Foto: Fábio Jr. Severo
Foto: Fábio Jr. Severo

O destaque do ambiente é a predominância do branco com uma atmosfera leve e clean gerada pelo verde natural e as texturas escolhidas para o tapete e o tecido do sofá.

Foto: Fábio Jr. Severo

Arquitetas Carolina Danylczuk e Lisa Zimmerlin, UNIC Arquitetura, assinam o projeto deste apartamento: um imóvel com espaço integrado para receber amigos e um refúgio para dias que pedem mais calmaria. Adquirido em planta, o projeto proporcionou liberdade para as profissionais personalizarem o espaço desde o início das obras e o transformarem em ambientes leves, fluidos, que ao mesmo tempo transmitissem o lifestyle e personalidade dos moradores.

Branco, preto, cinza e tons terrosos estratégicos criam um cenário harmônico, com degradês que acolhem. Foto: Eduardo Macários

Em busca de mais espaço, paredes foram abaixo para integrar cozinha, churrasqueira, sala de estar e jantar, que ganharam unidade no revestimento do piso em cimento queimado monolítico. A churrasqueira interna é ideal para desfrutar bons momentos. O se ambiente destaca pelo painel aramado, com tramas que se repetem no móvel da lareira da sala de estar — bloco em pedra Dekton que contrasta com elemento em serralheria.

Foto: Eduardo Macários
Os elementos mesclam referências minimalistas e industriais, tanto na estrutura quanto na ornamentação da proposta. Foto: Eduardo Macários

Ainda no conceito de continuidade, a área social conta com um pórtico em Fresno Negro, que se prolonga por toda sala de jantar e estar, emoldurando o revestimento de tijolo em concreto das paredes, o sofá e o bloco ripado – que “esconde” o lavado.

Foto: Eduardo Macários

O projeto traduz o estilo minimalista através dos elementos urbanos, industriais, pontuados pelo design do mobiliário e o contraste com as cores vibrantes das obras de arte.

Foto: Eduardo Macários

“O ambiente minimalista, apesar de ser o mais clean possível, traz seus desafios. Ele tem que traduzir uma autenticidade em cada escolha de peças, apesar de parecer simples a escolha das peças é fundamental.” — Nando Machado (@nandoarquitetura)

Produção: @virattoconcept | Mobiliário: Cadeira Butiá, por Larissa Diegoli | Quadro por Thiago Alencar | Foto: Kacio Lira

01 PEÇA, 03 ESTILOS

Analisar a linha do tempo dos estilos arquitetônicos e decorativos leva a uma reflexão sobre o papel do design nesse contexto. Tendências vêm e vão, o que ontem era moda pode se tornar obsoleto em algum momento, mas há elementos e peças que transcendem os limites do tempo e se tornam ícones. Além da atemporalidade, outra característica diferencia essas criações: a versatilidade.

Pensando nisso, o arquiteto Michel Hüning e o designer de interiores Jean Lorenzett toparam o desafio de criar três ambientes com uma mesma peça: o Sofá Ganesha, assinado pela designer Larissa Diegoli. “A peça deveria ser híbrida. Quando conhecemos o sofá com desenhos orgânicos, observamos que casaria perfeitamente com várias atmosferas”, conta Michel. Os estilos escolhidos foram clássico, contemporâneo e industrial. Em cada cenário, o duo apostou em peças que exploram pontos-chave de cada estética, da estrutura à ornamentação: “O que caracteriza cada ambiente são os outros móveis e objetos eleitos. E a nossa escolha é sempre voltada a um olhar para a leveza do produto, ao desenho e aos materiais”.

Produção: @ocadesignbrasileiro e @sonhareambientes | Mobiliário: Sofá Ganesha, por Larissa Diegoli | Mesa de centro em mármore verde Guatemala | Foto: Kacio Lira

Elementos mais adornados, como boiseries, são clássicos revisitados na composição que contempla o estilo tradicional. “Nós trouxemos uma roupagem country, inspirada nas casas estadunidenses. Quando você tem um olhar apurado, enxerga a leveza dos detalhes, como mármore e dourado, que são características fortes do clássico, mas podem ser transferidas para espaços contemporâneos, por exemplo”, explica Michel. “As criações eleitas dialogam, como o tapete delicado e as mesas de centro e auxiliares com o toque de mármore Guatemala em tons esverdeados, que estão super em alta”.

A designer Carol Gay está presente no ambiente clássico com a delicadeza do vaso Volp e o abajur Carambola. “São peças muito bonitas, com toques dourado e base trabalhada”, diz Michel.

Produção: @ocadesignbrasileiro e @sonhareambientes | Mobiliário: Sofá Ganesha, por Larissa Diegoli | Esculturas por Leonardo Bueno | Tapete orgânico por Tapeçaria Italiana | Mesa lateral por Casa Mundo | Cadeira de aproximação Strombo, por Larissa Diegoli | Mesa de centro Arya | Foto: Kacio Lira

Com jeito de loft, o segundo ambiente é cercado pelo cimento queimado nas predes, uma tendência que valoriza a beleza na imperfeição, afinal, o aspecto inacabado — aqui, propositalmente — é o seu diferencial. No cenário industrial, o que reflete o estilo é a identificação com a atmosfera nova-iorquina: tons sóbrios, como o preto, a abundância de ferro, os detalhes construtivos e outras características que remetem ao século 20 passeiam pela concepção com o arrojo intrínseco a essa estética.

Michel e Jean apostaram na tapeçaria italiana para a proposta contemporânea, de acordo com ele, uma escolha imprescindível com desenho orgânico e mistura de cores, que trazem a ideia de modernidade ao espaço. Com o formato da peça, foi transferido para o espaço uma atmosfera de fluidez, fazendo com que o ambiente tivesse ousadia na distribuição. A ligação entre as poltronas e a mesa de centro, à frente do sofá protagonista, se deram de uma maneira desconstruída, quase intuitiva, longe do convencional.

Produção: @ocadesignbrasileiro e @sonhareambientes | Mobiliário: Sofá Ganesha, por Larissa Diegoli | Poltrona Toca da Movelaria | Poltrona Trevo Drink, por Felipe Protti (Prototyp&) | Foto: Kacio Lira

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