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04 jul 2020

DECORAÇÃO

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Minimalismo: a elegância no desapego

De Bauhaus a Marie Kondo, o minimalismo transcende a arte e configura-se como uma filosofia de vida na qual o conceito de “menos é mais” é posto em prática para além de questões estéticas. Mas é na arquitetura que o movimento alcança o seu auge.

Do que você precisa para ser feliz? De acordo com a filosofia minimalista, não muito. De encontro a todo tipo de excesso, o minimalismo é um movimento de contracultura que tem na sua relevância na atualidade a prova dos seus ideais. Do surgimento na Escola de Arte Bauhaus, há um século, pelas mãos de grandes artistas e arquitetos, à transformação em um estilo de vida que se popularizou na última década, o minimalismo tem o seu ápice na arquitetura – afinal, os projetos são a total materialização do conceito.

Neste projeto assinado pelo arquiteto Gabriel Bordin, prevalecem os tons em escalas de preto, branco e cinza.

Na arquitetura, o minimalismo consiste em uma forma mais pura de pensar e projetar os espaços, com uma oposição a todo adorno sem função. Em projetos arquitetônicos e de interiores que seguem essa estética, a premissa é expressar a essência dos materiais, trabalhar com volumetrias simples, cores puras e criar espaços de fácil leitura. Dessa forma, as criações deixam de priorizar o aspecto meramente decorativo e tiram partido dos volumes existentes na construção e na edificação para criar e para aproveitar os vazios.

O painel em lâmina ebanizada com portas ocultas dá acesso às áreas de serviço da residência. A forma circular do pendente utilizado na mesa de jantar segue a linearidade do ambiente.

Para o arquiteto Gabriel Bordin, não existe um material, uma textura ou uma cor que seja mais ou menos minimalista. A questão essencial é trabalhar com menos elementos e extrair o máximo deles. “Um apartamento minimalista pode ser azul do teto ao chão. Inclusive, é um conceito que eu gosto muito, de pintar tudo – parede, teto, janela – da mesma tonalidade. Por mais que seja uma cor vibrante, esse será um apartamento minimalista porque estará extraindo toda a pureza possível do azul”, explica Gabriel.

Gabriel Bordin explora as formas minimalistas e puras na sala de jantar, características enaltecidas pelas cores e texturas utilizadas.

O arquiteto defende que, assim como na arquitetura e no design, não existe certo e errado – tudo resulta na composição, do uso de revestimentos e texturas em uma forma volumetricamente harmoniosa à escolha de elementos naturais, como piso de madeira e parede de tijolos.

Os volumes da suíte de hospedes são enfatizados pelas cores empregadas no ambiente. A bancada de estudos em lâmina grafite contrasta com o amadeirado utilizado no bloco que envolve os armários. As formas limpas, lineares e puras acompanham o minimalismo por todo ambiente.

Nesse sentido, a essencialidade dos materiais reflete o minimalismo. Mais do que quantidade de móveis e objetos, o movimento valoriza o significado de cada item. “Não é necessariamente um projeto cru ou pelado. Ele pode ser pontuado com peças que tenham valor, significados e funções. Tudo isso constrói a ideia de minimalismo, de conseguir filtrar o que é excesso e desnecessário. Isso acaba resultando em uma composição mais limpa”, acredita.

O pórtico da suíte principal, onde está a TV, tem forma pura, trazendo leveza para o ambiente. O painel em lâmina ebanizada oculta a porta de acesso ao closet e ao banheiro da suíte.

Para além dos modismos, o minimalismo cria uma atmosfera mais limpa e atemporal – próxima do que as pessoas buscam atualmente em contraponto aos excessos da sociedade contemporânea. O desejo por espaços mais funcionais e elegantes na sua simplicidade tem se intensificado nos escritórios de arquitetura: “Em meus projetos, procuro criar uma ‘casca’ homogênea, que levará um tempo para ser composta, como tudo na vida. A gente evolui e a casa deve evoluir com a nossa história. O objetivo é que essa ‘casca’ se mantenha atemporal para receber essas mudanças. Que seja neutra, com uma arquitetura adaptável, não cansativa”.

PURISMO EM CADA TRAÇO

Muito do que é o minimalismo veio do modernismo – tanto da arquitetura como movimento artístico-cultural. Logo, a materialidade também segue mesma linha, já que nega aos excessos. Nas criações do arquiteto Daniel Ghizi, a estética minimalista está presente de maneira intrínseca. “Acredito que uma característica que diferencie esse movimento é a funcionalidade mais racional, além das formalidades estéticas muito bem definidas. Materiais como o aço, concreto aparente, vidro, pedras naturais são muito utilizados quando se busca esse resultado nos trabalhos”, explica Daniel.

Nas fachadas, o design minimalista é definido pela formalidade da volumetria, pela pureza das cores e dos materiais. Entusiasta do movimento e da estética minimalista, o arquiteto prioriza nos seus projetos tonalidades neutras em busca de um resultado que vença as barreiras do tempo: “As cores claras remetem ao mínimo, ao simples, são mais ‘leves’ e, se combinadas com materiais brutos, evidenciam os traços atemporais”.

Uma das construções mais famosas no mundo, a residência Farnsworth foi projetada pelo arquiteto Ludwig Mies van der Rohe, mestre do minimalismo, em 1945.

Atemporalidade, aliás, é um dos traços mais fortes do minimalismo. Apesar de ter surgido há mais de 100 anos, o minimalismo ganhou força nas últimas décadas como uma maneira de contrapor os excessos da sociedade contemporânea – sempre conectada, saturada de informações e hiperconsumista. Nessa rotina quase desenfreada, os arquitetos desenham os traços que formam os cenários minimalistas para vidas mais leves, nas quais o único excesso permitido é o de equilíbrio.

Veja mais fotos de projetos que encantam pela estética minimamalista:

No projeto do Maraú Design Studio, as designers Linda Araujo e Linda Martins exploram formas geométricas e a luminosidade natural em uma composição minimalista.
No projeto do Maraú Design Studio, as designers Linda Araujo e Linda Martins exploram formas geométricas e a luminosidade natural em uma composição minimalista.
No projeto do Maraú Design Studio, as designers Linda Araujo e Linda Martins exploram formas geométricas e a luminosidade natural em uma composição minimalista.
No projeto do Maraú Design Studio, as designers Linda Araujo e Linda Martins exploram formas geométricas e a luminosidade natural em uma composição minimalista.
No projeto do Maraú Design Studio, as designers Linda Araujo e Linda Martins exploram formas geométricas e a luminosidade natural em uma composição minimalista.
No projeto do Maraú Design Studio, as designers Linda Araujo e Linda Martins exploram formas geométricas e a luminosidade natural em uma composição minimalista.
No projeto do Maraú Design Studio, as designers Linda Araujo e Linda Martins exploram formas geométricas e a luminosidade natural em uma composição minimalista.
No projeto do Maraú Design Studio, as designers Linda Araujo e Linda Martins exploram formas geométricas e a luminosidade natural em uma composição minimalista.
Nesta sala do projeto assinado pelo arquiteto Gabriel Bordin, o painel branco esconde em sua parte ripada toda a parte funcional e torna mais discreta a lareira, que faz parte de sua continuidade.
Nesta sala do projeto assinado pelo arquiteto Gabriel Bordin, o painel branco esconde em sua parte ripada toda a parte funcional e torna mais discreta a lareira, que faz parte de sua continuidade.
Natural, a madeira aquece os ambientes, aproximando a estética minimalista do tropicalismo da casa brasileira.
Natural, a madeira aquece os ambientes, aproximando a estética minimalista do tropicalismo da casa brasileira.

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