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20 set 2021

DECORAÇÃO

DECORAÇÃO

Tapetes: herança milenar

Do berço da tapeçaria no Oriente Médio, onde surgem as criações atemporais que permanecem por gerações em uma mesma família, como um legado valioso, às peças tecnológicas que unem funcionalidade e charme, tapetes são indispensáveis para propostas aconchegantes e autênticas.

Repleta de significados, a arte de confeccionar tapetes é milenar e carrega as memórias de povos da Antiguidade. Passada de geração a geração, a tecelagem surgiu como uma estratégia para enfrentar o inverno rigoroso, quando os povos nômades da Pérsia, em aproximadamente 500 anos a.C., precisavam se aquecer para sobreviver às temperaturas baixíssimas da região. Com o passar do tempo, a expressividade das civilizações persas deu origem ao aspecto artístico dos tapetes, transformando um elemento inicialmente funcional em objeto cultural.

Mais do que um item coadjuvante, o tapete eleito para o projeto do escritório Schuchovski Arquitetura confere vivacidade e elegância à proposta de interiores. Foto: Eduardo Macarios

Transcender a questão utilitária foi um divisor de águas na criação, nos costumes e no mercado de tapeçaria que surgiu a partir disso. Logo, o mundo descobriu a beleza, a resistência e a versatilidade das peças, que se tornaram cobiçadas ao redor do globo — até hoje, após a confecção do primeiro tapete de quem se tem registro, o Pazyryk, há cerca de dois mil e quinhentos anos. A atemporalidade dos modelos orientais é uma de suas características mais instigantes. Afinal, são poucos os objetos que resistem com tanta graça às amarras do tempo.

Conceber uma casa viva, dinâmica e aconchegante era o objetivo da arquiteta Eliza Schuchovski — missão na qual o tapete se tornou um item indispensável. O modelo em pelos de nylon tem desenho geométrico em duas cores e diferentes alturas, provocando multissensorialmente quem passeia pelo espaço de convivência. Foto: Eduardo Macarios

Por serem peças soltas e com alto valor afetivo e cultural agregado, elas sobrevivem a mudanças e passam de pai para filho por gerações. “É possível encontrar peças centenárias que são como herança para famílias mais tradicionais, uma forma de valorizar o trabalho artesanal”, conta Bruno Yanke, especialista e empresário do ramo de tapetes, que atua à frente da marca Tapeteiro.

Hoje, os tapetes orientais feitos no Irã, no Egito e em outros países asiáticos estão presentes em projetos de interiores de diferentes estilos. Do clássico ao contemporâneo, a estética das peças originais é sempre sofisticada, além de contar histórias e ser sinônimo de aconchego.

A cobertura duplex esbanja conforto, tanto nos espaços íntimos quanto nos sociais, onde o bem receber é valorizado. Nesse contexto, tapetes confortáveis e atemporais não poderiam ficar de fora. Foto: Jomar Bragança

Mais do que cenários coadjuvantes, os espaços habitados podem ser narradores de grandes histórias. No projeto elaborado pelas designers Linda Martins e Linda Cris Araújo, do Maraú Design Studio, o tapete cumpre esse papel, pois já fazia parte do acervo da família. Para as profissionais, não teria como deixá-lo de fora da proposta. “O modelo shaggy, com pelagem mais alta, quente e aconchegante, se mostrou perfeito para esse espaço”, conta o duo.

No andar superior do projeto localizado em Belo Horizonte, a sala da adega ganhou um tapete com fibras naturais, que abraça os móveis e setoriza o espaço. Foto: Jomar Bragança

A partir do século XVIII, a produção de tapetes evoluiu, principalmente após a revolução industrial, quando os artesãos perderam espaço para as máquinas. As padronagens de fauna e flora, que identificavam as raças dos tapetes típicos das regiões asiáticas, assim como as fibras naturais, como lã e algodão, cederam espaço para modelos geométricos e com tecidos sintéticos.

Com desenho moderno e materiais milenares, o Kilim Chevron indiano (à esq.) é feito em tear. O fio de algodão é a base da urdidura. Em perfeita sintonia, a lã se entrelaça entre o algodão em uma densa trama manual. À direita, a criação do brasiliense Humberto da Mata, feita em recorte e colagem e posteriormente digitalizada, tem linhas paralelas aleatórias, que criam um efeito singular. Foto: Kacio Lira

Atualmente, as duas vertentes coexistem: ambas com particularidades que agradam diferentes perfis.

Mapa de São Paulo é o nome da criação em preto e branco de Ângela Leal (à esq.), um tapete brasileiro de estilo contemporâneo feito em poliéster enrijecido, como uma homenagem à terra da garoa. Também em duas cores, o tapete índigo (à dir.) não apresenta uma padronagem consecutiva, com relevos diferentes que proporcionam contrastes de luz e sombra. Foto: Kacio Lira
Inspirado no mar, o ambiente projetado pela arquiteta Juliana Pippi explora a monocromia a partir do tom da areia, combinando texturas e elementos naturais com a tecnologia nos materiais, escolha que perpassa pelos tapetes sobrepostos em diferentes formatos. Foto: Mariana Boro
Para apreciar a vista para o mar da Praia Brava, os tapetes clássicos que já pertenciam à família foram eleitos pela arquiteta Vanessa Larré. Junto a peças de design brasileiro, como a poltrona de Sérgio Rodrigues, e o sofá, a mesa de jantar e as cadeiras, todos de Jader Almeida, os elementos exaltam a versatilidade dos clássicos em composições contemporâneas. Foto: Fábio Jr. Severo
A peça contemporânea eleita para o ambiente de Vanessa Larré foi feita em fibra de taboa. A criação, que reproduz e homenageia Mondrian, foi desenhada por Evangelina Guerra com o intuito de ir ao encontro dos móveis e revestimentos e combinar cores e texturas. “Ele veste a casa, vem no momento que você realiza o ‘gran finale’, harmoniza e transfere a circulação”, explica Vanessa. “O tom faz com que as cores dos outros elementos da decoração sejam ressaltadas. A sua textura faz parte de uma questão sensorial fundamental em um projeto”. Foto: Fábio Jr. Severo
A utilização de materiais naturais, como palha e madeira, trazem nobreza e aconchego ao projeto executado pelo designer de interiores Fernando Luiz Dal Bosco, assim como as peças de design assinado. O tapete em fibra natural, trançado e com franjas, emoldura o amplo living integrado à cozinha e ao espaço da lareira. Foto: Fábio Jr. Severo
Já o tapete de seda natural, produzido no Nepal, foi eleito para a sala da lareira, criando um cenário de puro aconchego no apartamento praiano. Foto: Fábio Jr. Severo

Apesar do berço no continente asiático, de onde ainda sai boa parte da produção mundial, principalmente os mais tradicionais, a confecção de tapetes chegou a outros territórios, inclusive na América Latina. Designers brasileiros como Humberto da Mata e Ângela Leal fortalecem o mercado com suas criações originais, valorizando a cultura e os insumos nacionais.

Longe da Ásia, produtores latino-americanos comercializam peças originais de diferentes estilos. Regionalista, o tapete Tribalista é feito em tear e tem origem brasileira, mais precisamente, nordestina. Foto: Kacio Lira
De estética contemporânea tribal, os tapetes Fábulas, Natural Juta e Kilim Terroso são feitos em tear vertical. O primeiro conta com um estilo clássico revisitado, retratando fragmentos que contam pequenas histórias, característica que lhe rendeu o nome. Foto: Kacio Lira
Desenhos autorais, como o deste tapete criado especialmente para o projeto da arquiteta Roberta Zimmermann, agregam autenticidade a propostas de interiores. Arrojado e moderno, o modelo explora formas geométricas e as mesmas cores dos outros elementos do hall de entrada, como a poltrona assinada por Jader Almeida. Foto: Fernando Willadino

Eternizada por Coco Chanel, ícone da alta costura, a padronagem pied-de-poule é a estrela do tapete desenhado pela arquiteta Mariana Hofmann para uma camisaria. O elemento corrobora para a atmosfera sóbria e sofisticada da loja, com detalhes que remetem à história de três gerações de camiseiros. “Buscamos inspiração na alfaiataria europeia e em marcas como Ermenegildo Zegna que, assim como o cliente, se orgulha da produção verticalizada e de sua tradição, mas sem abandonar a contemporaneidade”, conta Mariana.

Sobre o assoalho original da casa construída na década de 30, o tapete exibe a atemporalidade e a elegância de uma padronagem tradicional na moda. Foto: Fábio Jr. Severo

Se existe um elemento em projetos de interiores que precisa ser resistente, este elemento é o tapete. Afinal, é sob os pés que ele cumpre o seu papel. O projeto do Cipriani Studio ilustra com destreza essa ideia: em um living feito para ser usado sem cerimônias, o tapete desempenha a função de não somente agregar estilo ao espaço de convivência, como também proporcionar conforto e acolhimento para os moradores e para os seus convidados.

Com essência despretensiosa, o espaço social concebido pelo Cipriani Studio é permeado por elementos que emanam conforto, como mantas, uma cesta e o tapete, que é sinônimo de aconchego. Foto: Mariana Boro
Quando o assunto são tapetes, a máxima “menos é mais” foge à regra. Para proporcionar a melhor experiência, tanto na questão estética quanto na sensorial, os tapetes eleitos devem abraçar os móveis do ambiente. Foto: Mariana Boro

A confecção de todo objeto para casa, seja algum elemento de base, como revestimentos, ou peças de design assinado, começa no mesmo lugar: a matéria-prima. Na criação de tapetes, não é diferente. Este, aliás, é um ponto imprescindível nesse item.

Fabricado na índia, o Kilim Veneza é feito a partir de uma combinação milenar, lã e algodão, e teado verticalmente em fio contínuo. Remete à coloração veneziana, tons terrosos e esverdeados, e tem inspiração no concreto da cidade que lhe inspirou o nome. Foto: Kacio Lira

Os primeiros tapetes dos quais se tem registro eram feitos a partir de materiais naturais, como lã. A mais tradicional das linhas era teada a partir de técnicas inovadoras, que resistiram aos limites do tempo e ainda hoje se mantêm vivas na cultura de incontáveis povos asiáticos, que compartilham com o resto do mundo os extraordinários tapetes persas.

Foto: Kacio Lira

Com o tempo, novos materiais passaram a ser explorados, como como o algodão, o couro, as fibras naturais e ecológicas, assim como os sintéticos, a exemplo da poliamida, que hoje é extremamente difundida no mercado.

“Tricô para tapetes”, de acordo com Bruno Yanke, o modelo Militar é brasileiro e feito em chenille, sisal e algodão, um trio que confere ao modelo resistência e aconchego. Foto: Kacio Lira

Para o designer de interiores Fernando Luiz Dal Bosco, na hora de escolher o tapete ideal, é preciso verificar a finalidade do ambiente. “Em salas de estar e quartos, buscamos tapetes com fibras macias que proporcionem aconchego.

A exclusividade do material natural aliado ao conceito de um design atemporal transformaram o projeto de Fernando Luiz Dal Bosco em um oásis no qual a experiência começa pela sensação dos pés sob o tapete. Foto: Fábio Jr. Severo

Já nas salas de jantar devemos verificar a facilidade de limpeza e manutenção, assim como áreas externas, que exigem peças especiais que suportem ações climáticas”, sugere.

Os contrastes entre tons naturais, como o terracota e o verde, agregam à atmosfera de valorização de elementos em sua essência no projeto de Fernando Luiz Dal Bosco. Foto: Fábio Jr. Severo

O sentido de continuidade do loft executado pelo designer de interiores Fernando Luiz Dal Bosco se dá, entre outros motivos, pela escolha do tapete. Primeiro, pelo tamanho: extensa, a peça recebe os móveis do lounge e cria um espaço marcado pela amplitude.

Cinza, azul, roxo: na paleta de cores do lounge, o tapete compartilha com os móveis os tons que conferem ao espaço o equilíbrio desejado. Foto: Fábio Jr. Severo

A segunda característica é a cor do elemento, que passeia pelos mesmos tons do revestimento, do sofá e das cadeiras eleitas para o ambiente. Ao optar por tons vizinhos, Fernando cria uma unidade visual na proposta, o que a torna ainda mais fluida e reforça o papel indispensável do tapete na composição.

A combinação de diferentes tapetes setoriza os espaços ao mesmo tempo em que os conecta. Foto: Fábio Jr. Severo

Os moradores deste apartamento em Blumenau, projetado pelo arquiteto Thiago Mondini, buscavam um tapete com fácil manutenção para que as crianças da família pudessem conviver livremente no ambiente social. De acordo com o profissional, a escolha pelo modelo se deu por conta da resistência a acidentes com comida, bebida, canetinhas ou tintas. Ao lado da funcionalidade, o tapete industrial sintético chama a atenção pela cor única com relevo em desenho geométrico. “Todo o ambiente foi trabalhado com paleta cinza e pontos de cor nas decorações. O tapete, novamente, amarra todos os elementos soltos do projeto e contrasta por diferenciação de escala com os demais padrões geométricos utilizados no projeto”, explica Thiago.

Em perfeita harmonia, o tapete prático e discreto cria uma base neutra e dialoga com peças como a poltrona RVI 1001, de Ronald Sasson, e as duas pinturas surrealistas de Kiko Stotz. Foto: Eduardo Macarios
No tapete industrial com fibra sintética eleito para o hall de entrada projetado por Thiago Mondini, o desenho geométrico em preto e branco remete a uma frisa grega. Sua função é de preencher o olhar
e conectar as poucas peças de mobiliário, como o banco “Era”, de Eduardo Bortolai. Foto: Fábio Jr. Severo

Em meio à sobriedade sofisticada da criação de Thiago Mondini, o tapete de lã texturizada, elaborado semi-industrialmente a partir da colocação de pontos feita com uma pistola, encanta pela mescla de cores (bege, cinza e azul) que forma um padrão único. O toque do fio natural traz conforto e deixa o ambiente requintado. “Queríamos um tapete calmo, sem desenho, que apenas valorizasse o ambiente de jantar e as peças utilizadas no projeto”, compartilha o arquiteto, a exemplo dos pendentes Mush, de Jader Almeida, do aparador Bora, de Bruno Faucz, e das cadeiras Lua Nova, de Daniela Ferro.

Ao lado de peças de design assinado, o tapete eleito para o projeto de Thiago Mondini ilustra a elegância de uma paleta marcada pela sobriedade. Foto: Eduardo Macarios
“Além das funções tradicionais de proporcionar um toque mais quente ao caminhar sobre um piso ou de ornamentar um ambiente através de diversas padronagens, eu considero como funções primordiais de um tapete ‘delimitar ou realçar um espaço’ e ‘conectar os elementos soltos de um projeto’”, sugere Thiago. Foto: Fábio Jr. Severo

Clássico, moderno, contemporâneo. Seja qual for o estilo, há um tipo de tapete que é sempre uma boa opção: o persa. Carregado de história em cada fio, o item narra a cultura da Antiga Pérsia, atual Irã, e de outros países do Oriente, como a Índia, o Paquistão e a Turquia, com desenhos passados de geração a geração, que podem ser vistos também ao avesso — uma antiga estratégia para identificar peças originais.

Fértil, o solo indiano dá origem a modelos que mostram a potência de peças tradicionais, como Naim e Tabriz Reload, feitos à mão. Os fios de lã e algodão seguem um sentido que deve ser direcionado à rua, para varrer para fora a sujeira e as más energias. Foto: Kacio Lira

Os modelos tradicionais resistem às amarras do tempo, tanto na questão física quanto na imaterial. Não à toa, são valorizados em todo o mundo por milhares de anos. Uma das características mais marcantes das peças é a irregularidade dos traçados, que reforça a ideia de que a perfeição cabe somente a Alá. Por isso, não é exagero dizer que cada peça é literalmente única.

Importado da Túrquia, o tapete eleito pela arquiteta Carina Beduschi para este projeto preenche os espaços vazios entre o mobiliário, com personalidade, mas sem roubar a cena. “Não tem o papel principal, mas não é coadjuvante desconhecido. O tapete valoriza o conjunto”, sugere. Foto: Mariana Boro

As arquitetas Natália Garofalo e Rafaela da Rocha, do Mútuo Studio, resgataram elementos do passado e conferiram identidade ao projeto do pub com a escolha do tapete persa que se destaca na composição. Além de harmonizar bem com materiais naturais, como o tijolinho queimado e couro caramelo, o elemento colabora na criação de uma atmosfera aconchegante e na releitura com um toque de contemporaneidade dos bares europeus. “Por ser um tapete retangular e de dimensões grandes, porém com um visual bem trabalhado, o tapete se torna um elemento que emoldura todo o mobiliário e o espaço livre, servindo como peça de decoração essencial, mas também como forma limitadora”, revela o duo.

Junto à madeira e em contraponto a uma iluminação moderna e a quadros divertidos, o tapete se torna uma peça-chave na construção do ambiente marcado pela irreverência. Foto: Rudi Razador

À beira do mar, o ambiente projetado por Maressa Ferreira e Eduardo Melo, do Studio Set7, ganha forma a partir de peças assinadas por grandes nomes do design brasileiro, como a Mole, de Sérgio Rodrigues, que compõe com o quadro da artista Djanira; a luminária CaramBOLA, de Carol Gay; e o banco Blade, de Jader Almeida. Nesse cenário, o formato geométrico do tapete e sua composição de cores condizem com a proposta do apartamento, que esbanja elegância e atemporalidade. A peça é confeccionada com fio sustentável feito a partir do nylon das redes pesqueiras retiradas e recicladas do oceano.

Por ser sintético e resistente, o tapete se torna versátil ao permitir a personalização de acordo com o ambiente. Foto: Alexandre Zelinski

Mais do que funcionalidade e beleza, conhecer a fundo o universo de tapetes é uma rica experiência, principalmente em relação aos modos de confecção. São inúmeras técnicas que resultam em peças singulares, cada uma com características únicas, literalmente. Além da aparência do produto final, cada método tem tempo e nível de dificuldade distintos, assim como interferência direta na durabilidade, no toque e na experiência geral.

Feito com partes de lã lisas e partes tingidas, o tapete indiano mostra como os clássicos permanecem relevantes na contemporaneidade. Foto: Kacio Lira

A técnica hand-tufted, por exemplo, utiliza uma pistola, misturando a atividade manual com uma ferramenta, um equilíbrio entre os extremos. Este tipo de tapete é feito de lã em tear em fios contínuos em gomos, que criam pontos rígidos que deixam o pelo firme. A técnica faz com que a peça fique resistente e sem caimento, uma marca do clássico contemporâneo indiano, como o Maldivas.

Feito em fio de alta torção, o tapete Esculpido Styling ganha vida a partir de fios cortados, um processo que arredonda os pelos manualmente. Nem retilíneo, nem paralelo, o sentido do
nylon é entrelaçado para a criação de uma estética orgânica. Foto: Kacio Lira

A irregularidade do tapete persa, produzido de forma artesanal, garante a originalidade da peça iraniana eleita para o projeto assinado pela arquiteta Ana Paula Zonta. Na circulação longa, o caminho é enriquecido com painéis laqueados e arandelas que harmonizam com o espaço, deixando o ambiente ainda mais aconchegante para a passagem. “O tapete é o destaque do ambiente, pois valoriza o cenário e se encaixa no espaço de forma agradável e sofisticada”, completa a arquiteta.

Para a arquiteta Ana Paula Zonta, é sempre uma boa ideia optar por tapetes persas. “São peças requintadas, que levam até mesmo anos para ficarem prontas”. Foto: Ronald T. Pimentel

O designer Henrique Steyer é conhecido pelas suas criações inspiradas na ideia do macaco, como joias e outros objetos de luxo. No design de tapetes, não seria diferente: o gaúcho enaltece a brasilidade de sua assinatura na peça em poliéster enrijecido e jacquard. O modelo ilustra a potencialidade dos tapetes de se tornarem protagonistas em propostas de interiores.

Na mesma linha de outras criações de Henrique Steyer, o tapete Macacos valoriza a fauna brasileira em desenhos que não passam despercebidos. Foto: Kacio Lira

Cores vibrantes, desenhos assinados por artistas e designers, recortes inovadores que provocam quem passeia pelos elementos: o que não faltam são possibilidades que podem transformar tapetes em objetos de desejo indispensáveis.

Feito a partir de um tramado de fio a fio e com franjas nas laterais — ao contrário das tradicionais, são posicionadas para aparecer na dimensão oposta —, o belga Aquarela Berinjela retrata tons envelhecidos de cereja e azul, com veios esculpidos entre as cores, provocando sensação de luz e sombra. Foto: Kacio Lira

Por falar em papéis principais, o projeto assinado pelo escritório Beta Arquitetura, de Bernardo Gaudie-Ley e Tania Braida, traz uma peça com patchwork geométrico em couro que cria uma pista irreverente e autêntica. Os olhares se voltam ao tapete, elemento-chave da composição.

O efeito visual do tapete é equilibrado pelas cores neutras, cinza, branco e preto, contrastando com os tons terrosos do mobiliário. Foto: Denilson Machado
O apartamento praiano projetado pelo escritório Beta Arquitetura explora uma paleta de tons quentes, que lembra a atmosfera da cidade do Rio de Janeiro. No living, o tapete Hemp, que tem como
matéria-prima a cannabis, arranca suspiros de quem chega ao local. Foto: Denilson Machado
Como o próprio nome ilustra, o tapete Caminho de Varanda representa uma passagem desgastada, ou seja, é uma peça resistente e feita para usar. A durabilidade se deve também ao poliéster enrijecido e ao jacquard, que se unem para materializar o item brasileiro. Foto: Kacio Lira
Dupla face, o Kilim ganha vida a partir de uma mescla de vários fios de lã tingidos de cores diferentes, sempre monocromáticas. O modelo representa uma tonalidade pixelada com efeito de estonagem, valorizando o estilo contemporâneo em um processo de tear. Foto: Kacio Lira

De um lado, os persas e suas histórias milenares em cada fio; do outro, os contemporâneos com linhas orgânicas e formas geométricas. Apesar das diferenças, esses dois estilos compartilham características, como as tramas bem amarradas, o conforto e a habilidade de agregar estilo e aconchego a todo tipo de ambiente.

Foto: Kacio Lira

O projeto assinado por Valliati & Tomasi Patrão representa um modo atual de produção com um tapete de padronagem moderna que ganhou vida a partir do desenho autoral do escritório. Em acrílico, o elemento está inserido em uma atmosfera casual e monocromática, fazendo um contraponto com suas cores verde garrafa e rubi.

A paleta de cores do tapete pontua os mesmos tons do sofá, das almofadas e de outros detalhes, enriquecendo a proposta decorativa criada pelo escritório Valliati & Tomasi Patrão. Foto: Celso Pilatti

Já o hall de entrada do apartamento concebido pelo UP ARQ alcança o requinte como um ponto de cor, contrastando com a contemporaneidade das linhas arquitetônicas juntamente com seus desenhos de origem iraniana. Para as arquitetas Graciela Dall Agnol e Janine Dal Prá, a escolha da raça iraniana foi certeira, tratando de um estilo de desenho suave, discreto e mais tradicional, e fugindo dos arabescos de peso clássico.

A paleta de cores neutras e leves foram o ponto de partida, junto com a obra de Clarice Yanke, trazendo pontos de azul para o piso junto ao vermelho escuro e discreto do tapete Mood. Foto: Grasi Mohr

Quem adquire ou é presenteado com um tapete tradicional tem nas mãos uma peça valiosa, especialmente se for uma obra antiga, com marcas do tempo que agregam ainda mais preciosidade aos itens. O modelo Vintage Monocromático, de origem belga, simula com a estonagem a estética antiga, reproduzindo o poder dos modelos clássicos a partir de uma releitura contemporânea.

Propositalmente desgastado, o modelo que tem origem europeia resgata a essência dos tapetes tradicionais em uma roupagem moderna. Foto: Kacio Lira

Com uma atmosfera mais moderna e feito fio a fio em látex, o tapete Jardim de Inverno retrata a paisagem complementar do sol e da luz, o verde orgânico da vegetação e a terra bem nutrida, tons que unidos se tornam elementos vivos. A peça chama atenção também pela irregularidade nas formas, criando uma composição assimétrica que esbanja autenticidade.

Permeado por contemporaneidade e traços que passam longe da obviedade, o Jardim de Inverno celebra a beleza singular de elementos da natureza. Foto: Kacio Lira
Clássico dos clássicos, o persa colabora para a estética romântica do espaço social projetado pela arquiteta Anelise Medeiros. Os tons claros que permeiam o elemento estão presentes em outros itens do décor, criando uma unidade visual harmoniosa e atemporal.

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